O Datena merece uma chance

Por Simão Zygband

Costumo concordar com as decisões do governo Lula, eleito em condições adversas e com uma diferença de apenas 2 milhões de votos, quando ganhou uma eleição disputadíssima que possuia 156 milhões de eleitores aptos a votar.

Está muito em voga dizer que, caso eu queira uma decisão diferente da do Lula, que me candidate e ganhe a eleição (rs).

Acho que ele pode tudo.

Isso vale para todos os críticos.

Vi ontem uma postagem do presidente Lula elogiando seu vice, Geraldo Alckmin, que em uma sábia decisão estratégica, foi fundamental para a vitória em 2022.

Muita gente não gostou, a princípio, da ideia do Geraldo vice, inclusive a ex-presidenta Dilma Rousseff, conforme relatado pelo próprio Lula em vídeo.

Mas o tempo mostrou que Lula estava certo e que Geraldo Alckmin se demonstrou grato pelo convite, com extrema lealdade e conforto no importante papel que desempenha.

Lula é um político na verdadeira concepção da palavra. Uma raposa velha. Suas costuras políticas muitas vezes lembram um Frankestein, reunindo desiguais.

E na maioria das vezes dá certo.

O mais recente episódio que causou ruído foi a contratação de José Luiz Datena para apresentar um programa na TV Brasil, tornando-se, desta forma, um garoto propaganda do governo.

Datena, como se sabe, é um dos maiores símbolos do jornalismo mundo cão.

Passou anos nas principais emissoras de TV do país praticamente pregando diariamente a pena de morte e enaltecendo o viés mais truculento dos policiais.

Mesmo assim, acho que a decisão de Comunicação do governo tendo o Datena à frente é válida, apesar de causar estranhamento.

Para variar, Lula inova ao incorporar um personagem tão polêmico nos quadros da TV Brasil.

Quem conhece o Datena sabe que ele foi aos poucos incorporando aquela personagem truculenta, exatamente por diariamente só conviver com as notícias dos crimes, dos assaltos, dos homicídios, dos estupros, enfim, das tragédias humanas.

Nunca foi uma má pessoa, mas foi enlouquecendo, pirando na “batatinha” conforme ia narrando as desventuras do mundo cão.

Datena tem todas as condições de reformatar suas opiniões e postura diante da barbárie que estamos enfrentando.

Tem todas as chances de ser outro apresentador, dando a conotação política e humana necessária para mudar o enfoque do jornalismo policial.

Produzir, junto com sua equipe de TV, uma cobertura que saia do lugar comum da abordagem policialesca, mas fazendo a população entender o significado dos direitos humanos.

Realizar um jornalismo policial mais à esquerda, se é que isso existe.

E se empenhar no combate diário ao crime organizado, elevando sua voz contra as milícias, o PCC ou o Comando Vermelho.

Estes sim são a grande chaga existente no cotidiano dos brasileiros, infiltrados que estão inclusive (e principalmente) na política.

O Datena merece uma chance.

Vamos ver se ele consegue se repaginar e incorporar o velho Datena de início de carreira.

Só posso desejar a ele boa sorte.

Simão Zygband é jornalista veterano, editor do site Construir Resistência. Foi repórter e redator do extinto jornal Notícias Populares

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