Por Palas Atena
O HORROR!
Dos estarrecedores dados do Atlas da Violência 2021-2022, destaque para os absurdos números da violência de gênero (estupro de crianças e mulheres, feminicídios principalmente). O bozofascismo fez o liberou geral para que esses crimes explodissem, fossem normalizados.
Houve uma intensa perseguição e uma interdição às formas de resistência e proteção de crianças e mulheres, por meio da criminalização dos movimentos de direitos humanos, dos professores junto à total leniência governamental com a violência misógina e homofóbica.
Mas um ator social tem um papel fundamental nisso tudo: a mídia oligárquica. A perseguição e o massacre feitos a mulheres de destaque, principalmente de esquerda, como Dilma Rousseff, Marisa Letícia e agora Janja, são o caldo cultural que gera, alimenta e recrudesce essa violência machista.
Não contente em assassinar d. Marisa, por meio de matérias virulentas, fake news contra uma mulher que sempre primou pela discrição e pelo zelo com sua privacidade e de sua família, a mídia golpista arquitetou, insuflou e comemorou o golpe em Dilma Rousseff. A presidenta foi cotidianamente agredida em artigos, charges, editoriais e matérias pseudojornalísticas.
No dia da posse, um bando de colonistas recalcadas, como miriam leitão, eliane catanhede, debochou até do andar de Dilma ao subir a rampa no dia da posse. Também não esqueço como essa mesma mídia (folha de s. paulo, estadão, o globo) teve múltiplos orgasmos com aquela brutal vaia a Dilma na abertura da Copa do Mundo no Brasil. Só uma mulher que é um monolito de dignidade e força interior para não ter desabado. O resto, nos sabemos, é história.
O alvo da vez é Janja. Praticamente todo dia os jornais e sites se revezam em matérias deletérias a ela. É ataque atrás ataque, sob a máscara de informação. Hoje, por exemplo, folha/uol estampam matéria feita por três ventríloquos dos patrões, sendo duas mulheres. O texto é só maledicência, ódio mesmo.
Já no título chamam Janja de “algoritmo” de Lula, numa objetificação criminosa. Ela é caracterizada como uma megera autoritária e Lula um velho babão, submetido a uma mulher oportunista. Um horror!
Fica claro como as redações se tornaram um antro de futricas e maldades, correia de transmissão de interesses escusos. A real é que os jornalistas dessas redações, até aqueles que eram exceção, como mônica bergamo, submergiram no lodo da venalidade. O antipetismo, o antilulismo são uma chaga nessa classe.
Tentaram matar Lula e não conseguiram. E agora não suportam que, além de tê-los derrotado, o presidente ainda tenha conseguido refazer sua vida, esbanjar vitalidade de um ser desejante.
A mídia oligárquica é parte do Hades do bozofascismo. Daí não suportar que duas pessoas, como Lula e Janja, possam se amar, se respeitar, trocar experiências e cuidados mútuos.
Cabe observar que a virulência como atacam Janja, visando atingir também Lula, é questão ideológica porque não fizeram isso com Ruth Cardoso. Quando fernando henrique foi presidente, D. Ruth, socióloga como Janja, também não aceitava o rótulo de “primeira-dama”, não quis o papel de recatada e do lar.
Foi ela a fazer o único programa social para os pobre no neoliberal e privatista governo fhc, o Comunidade Solidária. Foi dela a gestão do programa, que viria a inspirar o Bolsa Família. Por sua proatividade, d. Ruth não foi atacada pela mídia como ocorreu com D. Marisa e ocorre com Dilma Rousseff e Janja.
Na verdade, quem a humilhou foi o próprio fhc com suas amantes, incluindo uma jornalista da globo que, ao engravidar, foi mandada ser correspondente em Paris, onde ele a sustentava. Anos depois, descobriu-se que o filho não era de fhc, mas o golpe da barriga já tinha sido dado.
Tudo isso foi abafado pela mídia que atacou, expôs ao escracho público e acabou assassinando, junto aos lavajateiros, d. Marisa Letícia. Mídia que depois golpeou a primeira presidenta do país, Dilma Rousseff. E não contente com essa ficha corrida de crimes, quer cometer mais um: o assassinato de reputação de Janja.
No contexto de conflagração bozofascista em que ainda vivemos, isso repercute na desqualificação geral das mulheres (não é à toa sejam as ministras o alvo preferencial do achaque do centrão ao Executivo).
Recentemente conheci e conversei muito com um assessor do Secretário da Presidência, Márcio Macedo. Um rapaz novo, de movimentos sociais, me contou que Janja é uma fofa, superquerida, inteligentíssima. Dá palpite sim, mas com muita propriedade, e o povo dos movimentos sociais a adora. Aliás, ela tem trajetória no PT, na militância do partido, não é uma arrivista.
Além dos misóginos que rondam o poder Executivo, há uma mídia disposta a matar real e/ou simbolicamente mulheres que ousam também ocupar cargos de poder. E isso se reflete na explosão da violência que atinge a todas nós, como mostra o Atlas da Violência.
Se a mídia espanca com matérias misóginas a mulher do presidente da República, por que os homens não se sentiriam livres para bater, estuprar e matar suas esposas, amantes, namoradas, filhas, sobrinhas?
Aliás, a ex-mulher do presidente da câmara, que a mídia tem empoderado para achacar o governo Lula, tem acusações pesadas contra o gângster do centrão. De espancamento a estupro, intermediado por ameaças, chantagens e perseguição. A mídia não se escandaliza com isso, ocupada que está em ser também predadora e violentar a primeira-dama.
Todo dia, rogo para que essa mídia vá à falência. Enquanto a falência não vem, que se envenene com o ódio que destila. No mais, vida longa a Lula e Janja, e a todas nós, mulheres, e nossas conquistas.
Palas Atena é pseudônimo. Foi mantida sua grafia original, que coloca os nomes próprios em letra minúscula. Nem o editor do Construir Resistência conhece a verdadeira identidade da escriba. Seus textos são obtidos diretamente do Facebook.










