Não se pode confundir luta por emancipação com terrorismo

Hamas Sequestro Crianças

Por Simão Zygband

Movimentos libertários não assassinam ou sequestram inocentes como fez o Hamas.

Hamas Sequestro Crianças
Vídeo mostra crianças israelenses sequestradas pelo Hamas

 

A estupidez da guerra entre Israel e Hamas trouxe luz sobre muitas questões que precisam ser analisadas com um pouco mais de sensatez e menos fanatismo. Não se trata de uma final de Copa do Mundo, onde se torce de maneira maniqueísta por uma das equipes finalistas. No futebol, acabou a disputa, cada um vai para sua casa, o perdedor chateado e o ganhador vibrando nos bares e ruas.

Mas a política não tem este desprendimento do futebol. Dela dependem vidas humanas e todas elas devem ser levadas em conta. O problema das redes sociais é que elas são apenas o paraíso dos senhores da verdade, mas também um celeiro de ignorância e um retrato vivo da estupidez de vários humanos. Não é à toa que todos os lados lutam pelo controle das narrativas, pois é a maneira mais fácil e rápida de se fazer as cabeças mais desatentas.

Vamos nos fixar no estopim da mais recente guerra entre Israel e Hamas (não confundir com palestinos). Ela, é verdade, não nasceu no dia 7 de outubro, mas é uma questão histórica de disputa (desigual) e de opressão do povo palestino pelos governos extremistas israelenses. Mas o grupo terrorista Hamas, que governa também de maneira opressiva a Faixa de Gaza, utilizou métodos nada ortodoxos para chamar a atenção da opinião pública mundial para a sua “causa”.

Foram chacinados friamente 260 jovens que participavam de uma rave (um festival de música), fuzilados e executados sumariamente, inclusive com uso de armas brancas (extripados) centenas de pessoas, entre elas pacifistas moradores de Kibutz e muitos israelenses morreram vitimadas por ataques de mísseis, num total de 1.400 pessoas. Para completar o festival de horrores, 242 pessoas, crianças, jovens, mulheres e idosos, foram sequestrados para servirem de escudos humanos.

O que se viu depois deste ataque bárbaro, injustificável sob qualquer aspectos, foi exatamente um festival de ódio, de sangue nos olhos, que cegou o mais indiferente dos observadores. O extremista Benjamim Netanyahu, o premiê sanguinário de Israel, eleito pelos setores mais atrasados de Israel, exatamente com a falsa ideia de que era o mais preparado para defender o território israelense, ganhou um fôlego repentino, pois a ação estúpida do Hamas acabou exatamente fortalecendo aquele que a sociedade israelense estava em vias de destituir do cargo nas ruas. Nunca aquele país teve antes manifestações de rua tão gigantes contra um governo literalmente detestado pelo povo. Quem bolou a estratégia do Hamas sabia muito bem que a reação seria desmedida, beirando a genocídio.

O que se viu depois disso foram gigantescas manifestações em apoio à causa palestina (justas, aliás), em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, mas junto delas um antissemitismo crescente que os judeus não tiveram o desprazer de presenciar desde o final da segunda guerra. Confesso que eu mesmo, descendente de judeus, com pai polonês, comunista e ateu, sobrevivente do Holocausto nazista e mãe judia brasileira que cultuava o kardecismo (espírita kardecista) pela primeira vez senti medo. Justo eu que sempre militei na esquerda e trabalhei pela criação, construção e avanços do PT. Vi muito coleguinha subir o tom, cacarejando tolices, se dirigindo a mim como se eu fosse o próprio Netanyahu. Sei que a questão palestina é bem mais complexa que uma mera torcida, de colocar bandeirinha da Palestina ou de Israel no facebook.

Ouvi muita bobagem (na minha opinião) de pessoas que não esperava que agissem como o torcedor que sobe em alambrados em estádio pelo fanatismo no futebol. Eu, pessoalmente, não sou culpado pelas barbaridades do sanguinário premier israelense, tampouco pela mesquinhez e usura dos banqueiros judeus. Nunca fui sionista, mas defendo a existência do estado de Israel. Divirjo daqueles que justificam a chacina realizada pelo Hamas só por que Israel é um estado opressor. Não contem comigo para isso.

Pergunto àqueles que defendem a extinção do estado de Israel, como apregoa o Hamas. O que será feito com os 9,5 milhões de israelenses, que  ficarão apátridas, a maioria deles judeus. Serão jogados ao mar ou exterminados em câmeras de gás, como fazia Adolf Hitler?

O ataque hamalista conseguiu dificultar as negociações (lentas, é verdade) que previam a criação de dois estados, o judeu e o palestino. Por que o Hamas não atacou instalações militares de Israel, ao invés de chacinar inocentes? Por que não sequestrou embaixadores ou altas patentes do exército israelense? O que a execução fria de crianças, jovens, mulheres e adolescentes ou o sequestro deles pode contribuir com a causa palestina?

As lutas revolucionárias ou emancipatórias jamais aconteceram com execução de inocentes. Não se libertam povos chacinando crianças, mulheres, adolescentes. Houve sim, fuzilamentos, “paredões”, muitos deles equivocados, certamente, mas a título de justiçamento revolucionário. Não me cabe definir se foram justos ou não, se eram necessários ou não. Foram executados os suspeitos de traição a uma causa ou simplesmente os contra-revolucionários.

Não me consta que Fidel Castro em Cuba ou mesmo Mao Tsé Tung, na China, mesmo lutando contra tiranias, tivessem perseguido aqueles que nada tinham a ver com os movimentos libertadores. Os americanos, sim, apoiadores de Israel, assassinaram inocentes no Vietnã. Isso toda a história e os filmes mostram. Movimentos libertários não assassinam ou sequestram inocentes como fez o Hamas.

De imediato, deve-se exigir a libertação dos 242 reféns em poder do Hamas. A manutenção deles como escudos humanos não vai colaborar em nada com a paz. Deve-se, depois disso, se decretar o cessar fogo e se iniciar imediatamente as negociações de paz. Serão criados dois estados, um judeu e outro palestino, lado a lado? Será um único estado utópico misto?

Só quando se encerrar o estado de ódio se conseguirá avançar em alguma pauta.

Manifestação em Israel

pela libertação dos reféns 

As famílias dos sequestrados entram em Jerusalém junto com cerca de 25 mil manifestantes. Foram três dias de caminhada por Israel e o destino final era em frente da residência de Benjamin Netanyahu

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Simão Zygband é jornalista, editor do site Construir Resistência, com passagens por jornais, TVs e assessorias de imprensa públicas e privadas. É de ascendência judaica.

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