Por Simão Zygband
O desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao Lula foi uma linda homenagem ao mais popular presidente da história do Brasil.
Um tributo vibrante, carregado de simbolismo, emoção, agradecimento e participação popular.
Mas quem assistiu ao desfile pela TV Globo teve acesso a uma versão pálida — e cuidadosamente editada — do que realmente aconteceu.
A cobertura da Globo confirmou aquilo que todos já esperavam: quando o assunto envolve Lula e o campo progressista, a emissora veste o figurino da desconfiança — quando não da franca antipatia.
Logo na abertura, o repórter Pedro Bassan tratou de enquadrar o desfile sob o prisma da controvérsia.
Em vez de destacar o enredo, a potência estética da escola ou a recepção calorosa do público ao presidente, abriu espaço para a narrativa de que a oposição teria tentado barrar a homenagem por considerá-la “propaganda eleitoral antecipada”.
A escolha editorial não é neutra. Ao priorizar o conflito político, a emissora desloca o foco da celebração cultural para a suspeição jurídica — uma operação recorrente quando o homenageado é o petista.
Mais grave foi o que a Globo optou por não mostrar.
As arquibancadas cantando o samba-enredo, a vibração espontânea do público, a emoção visível de artistas no carro alegórico — tudo isso apareceu de maneira tímida, fragmentada, quase constrangida.
Não houve planos abertos que captassem a dimensão da festa popular.
Não houve ênfase na adesão maciça.
Não houve o registro pleno do entusiasmo popular.
Trata-se de uma estratégia conhecida: reduzir a cobertura entusiasta e positiva para não amplificar a mensagem do PT e seu presidente.
Quando a avenida ecoa apoio popular, a câmera se distrai. Quando o povo canta, o áudio baixa. Quando artistas celebram, o enquadramento corta.
Optou-se excessivamente pelas imagens aéreas, dificultando que as mensagens existentes no samba, nas fantasias, nas alas e nos carros alegóricos fossem bem assimiladas pelo público.
Não é a primeira vez que há ruído nesta relação da Globo com Lula e o PT.
Ela atravessa décadas de tensão, disputas narrativas e enquadramentos enviesados.
A emissora que já teve papel central na formação da opinião pública brasileira segue sua linha golpista, obedecendo critérios de seus patrocinadores, operando sob a lógica de mercado de que a política deve ser norteada por seus interesses.
O que se viu foi menos jornalismo e mais contenção. Menos cultura e mais cálculo.
A Acadêmicos de Niterói cumpriu seu papel na avenida.
A Globo, mais uma vez, cumpriu o seu no telejornalismo de viés.
Mas, na Sapucaí, o samba em homenagem ao Lula saiu vencedor

Simão Zygband é jornalista e analista político, editor do site Construir Resistência, dedicado à crítica da mídia, à defesa da democracia e à análise da conjuntura brasileira.










