Por Simão Zygband
Não poderia ter sido mais inoportuna a entrevista que o jornal Folha de S.Paulo realizou com o “mentor” do golpe de Estado, Jair Bolsonaro, tornado réu na última semana por votação unânime da primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a decisão editorial de abrir suas páginas para tentar limpar a barra de um réu acusado por ter cometido grave crime ao paÃs, atentando.contra a Democracia e o Estado de Direito, o jornal paulista dos Campos ElÃsios volta a se emporcalhar com o fascismo.
O Grupo Folha, que por ocasião da campanha das Diretas Já assumiu papel importante na luta pela redemocratização do paÃs, encabeçada por um dos herdeiros do conglomerado, o finado Otávio Frias Filho (Otavinho), tem agora uma recaÃda autoritária, dando voz a um extremista que caminha a passos largos para a prisão.
Otavinho lutou bravamente até os seus últimos dias para tentar apagar a nódoa que o apoio do jornal de sua famÃlia proporcionou ao regime militar.
Mas, aparentemente, após a sua morte, o velho jornal da Barão de Limeira retomou aos poucos o seu DNA golpista, atrapalhando tudo que pode a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e envergonhadamente aderindo ao bolsonarismo.
A matéria com o chefe do golpe não deixa mais dúvidas. A Folha voltou a ter lado e ele novamente é o errado da História. Ela fortalece inegavelmente a pauta pela Anistia, que enfrentará dura batalha no Congresso.
Com esta decisão editorial, absolutamente inapropriada neste momento histórico, não restará mais dúvidas que a empresa tem o rabo preso com o fascismo.
Ao abrir suas páginas para atenuar as acusações contra Jair Bolsonaro, proporcionando-lhe o papel de vÃtima de perseguição polÃtica, a Folha, que um dia alegou que no Brasil havia ocorrido uma “ditabranda” (e não ditadura), retoma o seu verdadeiro DNA golpista. O velho lobo perde o pelo mas não perde os dentes.
Não restará dúvidas, portanto, como denunciado, que a empresa cedeu seus veÃculos para agentes da ditadura militar, que os seus jornais estavam infestados de policiais (como era o caso da Folha da Tarde), que de fato ajudou a repressão a perseguir jornalistas não alinhados com o regime (como Lourenço Diaféria e Rose Nogueira).
Há quem diga que a empresa ajudou a financiar os mecanismos de repressão, como o DOI-Codi e, o pior, levanta suspeitas contra o antigo proprietário do jornal, Otávio Frias, acusado de assistir a sessões de tortura de presos polÃticos nas dependências do DOPS, como denunciado na Comissão da Verdade.
Que o passado não retorne para amargurar o nosso paÃs.
#SemAnistia

Simão Zygband é jornalista e editor do site Construir Resistência
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