Escândalo do Banco Master ganha capítulo sombrio

Por Júlio Benchimol Pinto 

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (foto), conhecido nas mensagens da investigação como “Sicário”, morreu poucas horas depois de ser preso pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero.

Segundo a PF, Mourão tentou se enforcar na cela usando a própria camiseta. Foi socorrido e levado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Não resistiu.

Mourão não era figurante nessa história. Nas conversas apreendidas pela Polícia Federal, ele aparece como operador central da engrenagem que orbitava o banqueiro Daniel Vorcaro. Um grupo chamado nas mensagens de “A Turma”.

Segundo a investigação, Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para coordenar atividades que incluíam monitoramento de alvos, levantamento de dados pessoais e pressão contra críticos do banco.

Em um dos diálogos citados na decisão judicial, ele explica a divisão do dinheiro: “Ele manda o mensal e eu divido entre a turma.”

O apelido “Sicário” não é casual. A palavra vem do latim “sicarius”, derivada de “sica”, um pequeno punhal usado por assassinos na Roma antiga.

Os “sicarii” escondiam a lâmina sob a túnica e atacavam inimigos em meio à multidão. O termo acabou virando sinônimo de assassino contratado.

Nas mensagens analisadas pela Polícia Federal aparece também a frase que chocou os investigadores, envolvendo o jornalista Lauro Jardim:

“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.” A interpretação da PF é que se discutia simular um assalto para intimidar o jornalista.

Agora, o homem que aparecia como coordenador dessa engrenagem morreu antes de prestar depoimentos mais detalhados.

Num escândalo que já envolve bilhões, infiltração no regulador e uma rede privada de monitoramento, desaparece uma peça central da investigação.

E quando uma peça-chave some no meio de uma história desse tamanho, as perguntas inevitavelmente ficam maiores.

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