Ausência de Tarcísio no ato bolsonarista é sinal dos tempos

Por Rogério Marques – Quarentena News

Numa dessas cambalhotas da política, Bolsonaro passou a ser visto como cúmplice de Donald Trump em sua chantagem contra o Brasil e a soberania nacional.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), avisa que não vai ao ato pró-Bolsonaro neste domingo (3) na Avenida Paulista.

Ele disse que tem um procedimento médico marcado justamente na data da manifestação, para tratar um problema na tireoide. Deve receber alta no mesmo dia.

Aposto a minha coleção de carrinhos em miniatura que se fosse uma unha encravada, a consulta com o podólogo também seria marcada para o domingo, convenientemente. Tarcísio é direitista, sim, mas não é tolo. Sabe que não é o momento de fazer o papel de advogado de Bolsonaro.

A situação do ex-presidente mudou, perante parte de seus aliados e do seu eleitorado, quando ele foi apontado pelo próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um dos motivos da chantagem das tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para aquele país.

Chantagem que tem o apoio e a participação assumida de seu filho Eduardo, atualmente morando nos Estados Unidos. O mesmo Eduardo que em 2018 disse que para fechar o STF “não precisa nem um jipe, você manda um soldado e um cabo”.

Bolsonaro foi jogado por Trump e pelo próprio filho numa armadilha. A tendência, daqui por diante, é que alguns velhos aliados do ex-presidente passem a evitar uma vinculação de unha e carne com ele, porque uma linha perigosa foi ultrapassada: o sentimento de soberania nacional, de pátria – não das patriotadas típicas do bolsonarismo -, ainda bate forte no peito do povo.

Para piorar a situação, além do tarifaço Donald Trump aplicou no ministro do STF Alexandre de Moraes a Lei Magnitsky, que prevê, entre outras coisas, o bloqueio de contas bancárias e proíbe a entrada nos Estados Unidos.

Tarcísio, admirador assumido de Trump, até agora não se pronunciou nem a favor nem contra Moraes.

Embora tenha se manifestado contra o tarifaço – São Paulo pode perder mais de 100 mil empregos -, não fez qualquer crítica a Donald Trump. Em vez disso, preferiu culpar o presidente Lula.

Vale lembrar que no dia da posse de Trump o governador de São Paulo divulgou um vídeo usando o boné com o slogan “Make America Great Again” (Faça a América Grande Novamente”), lema da campanha do presidente americano.

Na situação atual, a demonstração de servilismo passou a ser de cumplicidade. A imagem tornou-se um presente para os opositores de Tarcísio.

A afronta de Donald Trump à soberania nacional com a sobretaxa, capaz de destruir empresas e causar desemprego, repugna muita gente, até mesmo no campo da direita, ainda que um dos objetivos seja livrar Bolsonaro da cadeia.

Diante da chantagem, os aliados do ex-presidente passaram a se preocupar, nem tanto com o Brasil, mas com suas próprias carreiras políticas, de olho nas eleições de 2026.

As pesquisas de opinião até agora divulgadas mostram claramente a rejeição dos brasileiros às ações de Donald Trump.

Daqui por diante, a tendência é que surjam muitas desculpas entre caciques da direita para evitar uma vinculação direta com Bolsonaro.

O ex-presidente, sempre procurado por candidatos do seu campo político em busca de apoio eleitoral, virou, quem diria, aquilo que se costuma chamar de chave de cadeia.

Fb Img 1710799611378Rogério Marques é jornalista carioca.

 

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Respostas de 2

  1. O nome Bolsonaro virou sinônimo de azar. Ficar por perto atrai negatividade, rejeição e repulsa. Manter distância é o melhor que se pode fazer.

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