Bolsonaro agora culpa prefeitos e governadores pelas mais de 600 mil mortes

Por Simão Zygband

 

Todo mundo recorda como Bolsonaro agiu durante a pandemia. Foi contra o confinamento, chamou a doença de “gripezinha”, fez lobby a favor de medicamento obsoleto como a cloroquina, negligenciou a compra de vacinas (e há denúncias de compras superfaturadas do imunizante) e a falta delas acelerou o número de óbitos, realizou aglomerações ele mesmo e “motoatas”, enfim, não fez nada para impedir o avanço da pandemia.

 

O ocupante da cadeira presidencial, Jair Bolsonaro, decidiu culpar prefeitos e governadores pelas mais de 600 mil mortes ocorridas no país por conta da pandemia da Covid-19. Evidente que ele tenta se livrar da alcunha de genocida, mas vai ser quase impossível de eximi-lo das responsabilidades.

Agora, ele muda totalmente o discurso e diz ser contrário a realização do Carnaval em 2022. Para justificar seu posicionamento, afirmou que a realização da festa em 2020 ajudou na proliferação do coronavírus. “Por mim não teria (Carnaval este ano). Em 2020, quando pouco se sabia sobre o vírus, eu declarei estado de emergência enquanto prefeitos e governadores decidiram fazer o Carnaval e o resultado foi 600 mil mortes. Mas a realização em 2022 é de competência dos prefeitos e governadores. Eles que decidem”, disse.

Todo mundo recorda como Bolsonaro agiu durante a pandemia. Foi contra o confinamento, chamou a doença de “gripezinha”, fez lobby a favor de medicamento obsoleto como a cloroquina, negligenciou a compra de vacinas (e há denúncias de compras superfaturadas do imunizante) e a falta delas acelerou o número de óbitos, realizou aglomerações ele mesmo e “motoatas”, enfim, não fez nada para impedir o avanço da pandemia.

Mas agora, quando as pesquisas de avaliação de seu (des)governo se mostram totalmente desfavoráveis a ele, apresenta uma mudança de posicionamento e culpa prefeitos e governadores pela tragédia que se abateu sobre milhares de famílias brasileiras.

 

Carnaval

O que está em discussão agora é se de fato haverá Carnaval em 2022. Apesar de intensas pressões, (sobretudo dos empresários e da bolsominon Ivete Sangalo), o governador da Bahia, Rui Costa, deu indicativos de que deverá proibir a realização das festividades em todo Estado.

“Não colocarei a população baiana em risco, quando estamos com 2,5 mil casos ativos na Bahia e com o coronavírus voltando com força em diversos países. O Carnaval não pode estar cima da vida das pessoas”, disse.

Em São Paulo, mais de 60 cidades do estado decidiram cancelar o carnaval em 2022 por causa da pandemia.  O que causa espanto é a covardia do governador João Doria (PSDB) e do prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), de tomar medidas mais efetivas e impedir a inevitável aglomeração que causa o Carnaval.

Os secretários estaduais de Saúde são unânimes na reprovação à realização de Carnaval em 2022. É o que afirma Carlos Lula, presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e titular da pasta no Maranhão. “Entre os secretários, ninguém concorda com o Carnaval”, diz. Ainda que o cenário da pandemia da Covid-19 esteja melhor que o de meses anteriores, há o temor de que as aglomerações gerem uma nova onda de contaminações.

Lula ressalta, por outro lado, que os secretários que existem outras razões para que os eventos sejam realizados, como, por exemplo, a pressão de profissionais da cultura.
Até o momento, ao menos 58 cidades paulistas já anunciaram o cancelamento dos festejos, entre elas São Luiz do Paraitinga, Franca e Ubatuba. Em capitais como São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e Recife, a realização de eventos ainda é incerta e depende da evolução da pandemia.

Já o médico Drauzio Varella, uma das maiores autoridades em assuntos sanitários do país, avalia que o Brasil está agora em uma situação melhor em relação ao coronavírus, com número de mortes mais baixo, mas não é hora de relaxar, pois o país não está pronto para ter grandes aglomerações. “Não estamos em situação ideal. 500 mortes por dia ainda é muito. A epidemia não acabou e nem vai acabar. Melhor não ter Carnaval ano que vem. Se tiver, está errado, porque corremos risco de repiques”, afirmou ele

 

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  1. Parabéns, Simão. Excelente artigo. Está cada vez mais evidente que o presidente Bolsonaro é uma tremenda farsa. Ele não tem capacidade de administrar sequer um condomínio quanto mais um país. Impeachment já!

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