Da redação – transcrito com IA
“Eu não vejo o empresariado entregando a presidência da sétima economia do mundo ao Flávio Bolsonaro”, diz José Dirceu.
O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, participou do programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan.
Ele escancarou para a “bolha” da extrema-direita a falta de um projeto político na candidatura de Flávio Bolsonaro para o país.
Dirceu deu uma aula de política e enalteceu a estratégia de Lula em buscar a reeleição com Alckmin como vice, além de focar no governo de São Paulo com Fernando Haddad.
Ao ser questionado se um possível quarto mandato estaria em risco, Dirceu avaliou: “Eu, particularmente, nunca tive ilusões de que o Flávio Bolsonaro alcançaria 35% dos votos, porque esse é o voto do bolsonarismo, da direita brasileira.
Como a direita não vai se apresentar com um candidato viável — já que o Ratinho Júnior acabou de retirar sua candidatura — o eleitorado que não quer votar no Lula, no PT ou na nossa coalizão, optou por Flávio Bolsonaro. Essa é uma questão. A eleição, no entanto, é outra.”
Ele destacou a consolidação das chapas: “Já estamos em pré-campanha. Temos a candidatura do Lula com o Geraldo Alckmin como vice.
É uma coalizão que se mantém e está consolidada. Fernando Haddad será candidato a governador e a Simone Tebet será candidata ao Senado.
O importante em São Paulo é o PT apresentar um programa de governo, uma avaliação da gestão Tarcísio e uma aliança com a reeleição do Lula.
É uma chapa que tem a cara do que elegeu o Lula: uma coalizão com setores que o Geraldo representa — classes médias que não são conservadoras, são progressistas, mas liberais na economia.
Eles fazem a leitura de que, neste momento, a opção mais adequada para o Brasil é a candidatura do Lula.”
Sobre o cenário regional, o ex-ministro apontou divisões na direita: “A direita está muito dividida no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina. Da Bahia até o Amazonas, incluindo o Nordeste, o Pará e o Amapá, estamos bem para governador e senador.
A eleição será decidida, como em 2022, aqui em São Paulo e no Sudeste, onde o Bolsonaro perdeu sete milhões de votos. Estamos tranquilos para disputar.”
Dirceu também questionou a viabilidade da oposição: “Estamos em vantagem porque a coalizão do Flávio Bolsonaro ainda não está formada. Ele não tem um vice, não tem uma coalizão partidária clara.
Como os partidos vão apoiá-lo para eleger governadores e deputados sem um candidato à presidência forte?
Nós temos apoios importantes, como o Fufuca, o Silvio Costa e o Sabino, que mostram nossa penetração em diversos estados.”
Quanto ao debate econômico e social, ele foi enfático: “O que a direita propõe para o Brasil? Vão desvincular o salário mínimo da Previdência? Tirar os pisos da saúde e educação? Privatizar a Petrobras? Veja o que estamos pagando agora por terem desmontado a Petrobras.
Importamos óleo diesel e gasolina sem necessidade, enquanto o Brasil poderia produzir.
Desmontaram o setor de fertilizantes e nos deixaram à mercê da especulação. O que assistimos no setor de petróleo foi um crime; a fraude e o crime organizado penetraram no setor de combustíveis.”
Sobre o apoio das elites, Dirceu afirmou que Flávio Bolsonaro não possui o respaldo do mercado:
“A expectativa de Tarcísio ser candidato nos preocupava porque ele poderia questionar o setor financeiro. Mas eu não vejo o empresariado entregando a presidência da sétima economia do mundo ao Flávio Bolsonaro.
O Lula demonstrou ser capaz de governar em crises, como em 2008 e 2009. Agora, na crise de relações com os Estados Unidos, ele mostrou que está à altura.”
Por fim, o ex-ministro criticou a postura de Flávio Bolsonaro sobre soberania nacional e segurança pública:
“Ele sonha com o dia em que os Estados Unidos bombardeiem a Baía da Guanabara. Isso é um pretexto. O Brasil é um dos poucos países que enriquece urânio com tecnologia própria porque rompeu acordos de submissão no passado.
Não acredito que possamos seguir o caminho que ele propõe, de classificar facções como grupos terroristas apenas para dar pretexto a uma intervenção externa no Brasil. O problema da segurança pública é outra questão.”











