Construir Resistência

16 de julho de 2023

Como foi que Jean Wyllys emparedou Eduardo Leite

Do blog do Moisés Mendes O embate entre Eduardo Leite e Jean Wyllys é mais do que um duelo entre figuras públicas assumidamente gays. É uma troca de farpas entre gays que assumem posições opostas como figuras públicas. Com uma acusação grave e nova nesse tipo de embate, apresentada entre as armas de Jean Wyllys. A briga começou porque Eduardo Leite anunciou que manteria uma versão gaúcha do programa das escolas cívico-militares que, na versão federal, Lula decidiu desativar. Todos os governadores de direita tomaram a mesma decisão, alguns bancando as escolas militarizadas com recursos estaduais, e outros, o caso de Leite, mantendo um projeto similar, não com militares das Forças Armadas, mas da Brigada Militar, a PM gaúcha. Aí começou a briga. O ex-deputado escreveu no Twitter: “Que governadores héteros de direita e extrema direita fizessem isso já era esperado. Mas de um gay? Se bem que gays com homofobia internalizada em geral desenvolvem libido e fetiches em relação ao autoritarismo e aos uniformes; se for branco e rico então”. Leite não gostou de ser chamado de gay com homofobia internalizada e respondeu, também no Twitter: “Manifestação deprimente e cheia de preconceitos em incontáveis direções… e que em nada contribui para construir uma sociedade com mais respeito e tolerância. @jeanwyllys_real, eu lamento a sua ignorância”. Jean Wyllys retrucou: “Deprimente é a tentativa de pinkwashing”. É aí, nessa palavra pouco conhecida, que está a intervenção mais incisiva do agora servidor da área de comunicação do governo Lula. A prática de pinkwashing (lavagem rosa) é uma acusação. Organizações, empresas e pessoas que aderem ao que seria pinkwashing são consideradas oportunistas, por utilizarem, como marketing de produto e marca, a causa LGBTQIA+ apenas quando tal adesão lhes interessa. A noção de pinkwashing (veja link no final desse texto) foi estendida a qualquer atividade, inclusive à política, que tire proveito do que parece ser, mas não é. É a acusação de Jean Wyllys contra Eduardo Leite. Em 2021, quando se apresentava como candidato a candidato à presidência da República, o governador tucano decidiu conceder uma entrevista a Pedro Bial admitindo que era gay. Leite passou a ser um gay autorreferente, que fala do namorado, dos desafios que enfrenta e dos sentimentos íntimos. Mas sem se referir à questão coletiva, sem ênfase à luta política em defesa das liberdades, da diversidade e do combate à violência e à discriminação. Leite, branco, de clase média, governador, contribuiu para glamourizar a condição de gay bem de vida, mas não deu um passo adiante no sentido de alcançar seu poder como figura pública à luta LGBTQIA+, principalmente dos gays pobres e sem a proteção de cargos importantes. O que Jean Wyllys disse é que não basta adotar ações nos cantinhos das políticas públicas, sem relevância no conjunto de programas afirmativos, se a condição de LGBTQIA+ for apenas uma marca pessoal. Em cada Estado, nenhum político é mais poderoso do que o governador. Um governador com representação, com voto, com exemplos a oferecer, pode optar pela submissão ao eleitor ultraconservador? Pode, se estiver disposto a pagar o custo dessa escolha. Jean Wyllys põe Leite diante de um constrangimento. Entre a luta política ampla em defesa das diferenças e das liberdades, de um lado, e de outro lado a obediência ao seu eleitor reacionário, o governador vem optando pelo segundo. Não é uma decisão apenas pessoal ou privada. Porque não se trata mais de questão de foro íntimo, desde o momento em que a figura pública decidiu anunciar que é gay. O governador Eduardo Leite foi quem informou a todos, como político, como figura pública exposta aos humores do mundo, que é gay. Um dia, no dezembro de 2021, Leite disse, numa tentativa de explicação: “Eu sou gay, e sou um governador gay. Não sou um gay governador, tanto quanto Obama nos Estados Unidos não foi um negro presidente, foi um presidente negro, e tenho orgulho disso”. O que isso significa? São frases. Apenas frases que parecem sugerir a percepção das palavras gay e negro como adjetivos. E as duas palavras são, antes, substantivos e também substantivas. Muito substantivas. https://inovasocial.com.br/empoderamento/pinkwashing-comunidade-lgbt/ Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. Escreve também para os jornais Extra Classe, DCM e Brasil 247. É autor do livro de crônicas Todos querem ser Mujica (Editora Diadorim). Foi colunista e editor especial de Zero Hora

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Só um Alexandre de Moraes não faz a Democracia

Por Simão Zygband O tempo vai passando e os maus brasileiros que tramaram o golpe – com alguns deles cooptados pelo pão com presunto (já que a mortadela é símbolo do petismo) vão se safando de cumprir o merecido descanso nas Colônias Penais, principalmente na Papuda. O que deveria ser uma punição aos que agiram ao arrepio da lei, assacando contra a Democracia, logo vai se esvaindo como fumaça e, de fato, não existem punições. Às vezes dá a horrível sensação de que o crime compensa em nosso país. O Brasil tem historicamente o péssimo hábito de passar a mão na cabeça dos fascistas, sobretudo se eles forem ricos. Transformam-se sempre em cidadãos acima da lei. A agressividade da nossa Justiça sempre se voltou contra o chamado triplo P (preto, periférico e pobre). Contra estes, a legislação costuma ser dura e implacável. Mas a falta de punição aos ricos, à elite golpista e aos tubarões que lesam as riquezas, a moral e a dignidade do povo  brasileiro acaba construindo monstregos que desembocam em uma liderança asquerosa como a de Jair Bolsonaro, um ex-presidente de triste memória que sequer pode ser jogado no lixo da história, por que a lata com certeza reclamaria de presença tão tóxica. Vamos pegar o exemplo mais recente de frutos podres que a impunidade ocasiona. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi alvo de xingamentos, nesta sexta-feira (14), por um grupo de cidadãos brasileiros no aeroporto internacional de Roma, (identificados como Andreia Mantovani Roberto Mantovani Filho e Alex Zanatta), inclusive com agressão física a seu filho. “Xandão” se transformou no símbolo do juiz legalista cuja ação impediu a concretização do golpe contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os fascistas o detestam. Mas se tem a sensação de que é uma ave solitária na luta contra o fascismo. Mas, apesar de todo o seu esforço, o mais proeminente na luta contra o golpismo, as suas ações não foram suficientes para frear completamente a baba raivosa dos derrotados. Chegaria a dizer que faltou maior apoio e empenho para encarcerar os trogloditas, que ainda pensam que podem sair por aí, em território nacional ou no exterior, desafiando seus desafetos. Veja o exemplo do que ocorreu na vizinha Bolívia, um país com tantos ou mais problemas que o Brasil, com histórico de golpes de estado realizado por militares e cujos golpistas que derrubaram o presidente Evo Morales, pagaram por seus crimes lesa pátria e acabaram atrás das grades. O mesmo processo aconteceu na Venezuela de Hugo Chavez (com a prisão dos fascistas) que derrubaram o presidente eleito e na Argentina, Chile e Uruguai, onde foram punidos com pena de prisão os ditadores que implantaram regimes militares sanguinários. É importante lembrar que no Brasil não houve uma “ditabranda”, como queria fazer acreditar um poderoso jornal (sic). Mas no nosso país tudo acaba em samba e carnaval. Os nossos militares, muitos deles torturadores, não sofreram punições, suas filhas “solteiras” chegam a receber aposentadoria dos pais falecidos, golpistas fardados permaneceram mamando no erário público por mais de 40 anos e todos os nossos esqueletos foram jogados para debaixo do tapete. A história de impunidade dos golpistas, àqueles que rasgam a nossa Constituição e vão sorrir fardados da nossa cara nas Comissões Parlamentares do Inquérito (CPI) no Congresso Nacional, são os pais do bolsonarismo e do fascismo. Acredito que só um Alexandre de Moraes não faz a Democracia. É preciso muito mais. Simão Zygband é jornalista profissional desde 1979. Trabalhou em TVs, rádios e jornais de São Paulo, onde foi respectivamente pauteiro, repórter e redator. Foi funcionário das TVs Bandeirantes, SBT, Gazeta, Record e dos jornais Notícias Populares, Diário Popular, Diário do Grande ABC , Diário do Comércio, entre outros. Foi coordenador de Comunicação no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (onde editou o Jornal Unidade) e redator do jornal Plataforma do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Também fez assessoria de comunicação em campanhas eleitorais e mandatos parlamentares. Trabalhou na Comunicação de Secretaria Municipal de Transporte de São Paulo. Foi diretor da Rádio e TV Educativa do Paraná e Secretário Municipal de Comunicação da prefeitura de Jacareí, São Paulo. CONTRIBUA COM O CONSTRUIR RESISTÊNCIA Com qualquer quantia, em nome de Simão Félix Zygband 11 997268051 (copie e cole este número no seu pix)  

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