Construir Resistência

29 de agosto de 2022

Escândalo: Band edita debate para favorecer Bolsonaro

Por Caco Schmidt    A sujeira editorial da TV Bandeirantes, veiculada há pouco no Band Cidade (19h), lembrou aquele debate entre Lula X Collor vergonhosamente editado pela Globo contra o PT. Vamos ver se essa edição será a mesma no jornal nacional da Band. 1) No resumo do debate, a Band editou a melhor fala de Bolsonaro no debate e omitiu a fala de Lula sobre as realizações de seu governo. 2) do Lula, editou o papinho com Ciro Gomes, quando Lula disse que achava ele “bonzinho”… 3) na fala da Candidata Soraya Thronicke editou Lula retrucando, como se ele fosse contra mulher e não Bolsonaro que agrediu covardemente a jornalista da TV Cultura Vera Magalhães (fato omitido na edição). Se a campanha de Lula não for pra cima da Bandeirantes vai começar a perder as eleições. Caco Schmidt é jornalista

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Descontrolado, Bolsonaro ataca jornalista no debate, mente sobre auxílio e Lula contesta

Da Hora do Povo   Foi agressivo com a jornalista Vera Magalhães, que fez uma pergunta que ele não conseguiu responder. “Vera, não podia esperar alguma coisa de você. Você dorme pensando em mim, tem alguma paixão por mim. Você é uma vergonha para o jornalismo brasileiro”, agrediu e causou grande desconforto em todos   A mentira é a principal ‘arma’ de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL). O jornalista Rodolfo Schneider perguntou sobre os auxílios à população. A manutenção ou não para o ano que vem. Ele questionou de onde sairá o dinheiro, já que o orçamento para 2023 só prevê R$ 400. Ao responder à pergunta, o chefe do Executivo mentiu quando disse que o PT havia votado contra a ampliação dos auxílios. O PT e os demais partidos de esquerda votaram a favor, embora tenham criticado, que Bolsonaro só ampliou os benefícios às vésperas da eleição. Bolsonaro insistiu na mentira de que vai manter o auxílio a partir do ano que vem — embora não tenha colocado no orçamento — e disse que o valor se aproxima do valor necessário a sair da linha da pobreza. Ele disse ainda que está conversando com a equipe econômica, que elaborou o orçamento com os R$ 400 e não com R$ 600. O ex-presidente Lula lembrou que o aumento de R$ 600 não está na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e disse que Bolsonaro estava mentindo. Ele afirmou que a bancada do PT votou favorável e que tentava colocar os R$ 600 há meses. Ele disse, ainda, que é preciso haver aumento de emprego. E disse que o candidato à reeleição adora citar números absurdos que nem ele acredita e cita venda das estatais. O primeiro debate presidencial, realizado neste domingo (28) foi exibido pela Band, com candidatos à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PL), Luiz Felipe D’Avila (Novo), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil). O debate foi organizado pelo pool de veículos de imprensa que reuniu Folha de S.Paulo, UOL, TV Bandeirantes e TV Cultura.   ATAQUE À JORNALISTA, À SIMONE E À SORAYA A jornalista Vera Magalhães ao fazer pergunta a Ciro Gomes sobre a cobertura vacinal baixa para várias doenças, como poliomielite, com resposta de Bolsonaro, ela tirou o presidente da zona de conforto. Ela perguntou se a desinformação sobre vacina, difundida inclusive pelo presidente, afetou essa busca das pessoas por vacinas. “Está tudo está fora do lugar no Brasil”, criticou o candidato do PDT. “Choca ouvir o presidente falar que o Brasil está bombando” na economia, disse. “Cinco milhões de brasileiros estão no desalento”. O “desemprego aberto [10 milhões]. Mas o que mais choca, segundo Ciro, é que “quase 50 milhões de pessoas estão esfoladas na informalidade.” Logo em seguida, Bolsonaro disse: “Vera, não podia esperar alguma coisa de você. Você dorme pensando em mim, tem alguma paixão por mim. Você não pode tomar partido no debate como esse. Fazer acusações mentirosas a meu respeito. Você é uma vergonha para o jornalismo brasileiro”. A jornalista não teve a oportunidade de se defender. Ciro afirmou que “50 milhões de brasileiros vão envelhecer sem aposentadoria”. Sobre vacina, disse que era trivial. A meta quando foi governador era 100%. Ele falou que é o desastre brasileiro por onde se queira considerar. Na réplica, Bolsonaro atacou a jornalista Vera Magalhães. Disse que a jornalista toma partido e que ela “é uma vergonha”. E, em vez da resposta, ele gastou o tempo dele com ataques à jornalista, mas também faz ataque a Simone Tebet, presidenciável do MDB. Também sobrou azedume de Bolsonaro contra a candidata Soraya Thronicke, do União Brasil Ciro também criticou Bolsonaro. “Enquanto continuar esse nível de agressividade o País não vai melhorar”, pontificou.   RESGATE DA VERDADE A instituição do auxílio emergencial de R$ 600 no auge da pandemia, não foi obra do governo. Bolsonaro havia proposto apenas R$ 200. Foi o Congresso que instituiu o valor que mais que triplicou o benefício. O projeto para ampliação do benefício foi primeiro aprovado no Senado, e depois pelos deputados federais. Todavia, Bolsonaro sancionou o projeto, apesar da enorme emergência do auxilio, no último dia do prazo de que dispunha.   RAIVA DAS MULHERES Perguntando a Bolsonaro, a candidata Simone Tebet (MDB) disse que o atual presidente defendeu assassino e torturadores, comete misoginia e agride as mulheres brasileiras e indagou: “por que tem raiva das mulheres?” “Me acusa sem prova nenhuma. […] Fui o governo que mais sancionou leis pelas mulheres. […] Não cola mais. […] Chega de vitimismo, somos todos iguais”, disse. “Faz política, fala coisa séria, não fica aqui fazendo mimimi”, completou. Disse que fez muito pelas mulheres. Faltou perguntar por que ele manteve durante quase quatro anos o tarado da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, na presidência do banco, denunciado por abusos sexuais contra as funcionárias e que propôs até uma orgia (“todo mundo nu”). Guimarães era muito próximo de Bolsonaro, estando ao lado dele em muitas lives. Tebet respondeu que Bolsonaro destila ódio e é uma fábrica de fake news. “Lugar da Presidência é lugar de exemplo, de coisa séria”.   ‘TCHUTCHUCA COM OUTROS HOMENS’ A postura de Bolsonaro gerou reação da candidata Soraya Thronicke. “Quando homens são tchutchuca com outros homens, mas vêm para cima da gente sendo tigrão, eu fico extremamente incomodada. Aí eu fico brava, sim, e digo mais para você. Lá no meu Estado tem mulher que vira onça, e eu sou uma delas”, criticou Thronicke. “Eu não aceito esse tipo de comportamento e de xingamento e, acima de tudo, disseminar ódio entre os brasileiros e nos dividir”, ressaltou a candidata.

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No fim, um debate que não muda nada

Por Carlos Eduardo Alves Como se sabe, debate hoje em dia não muda nada, a não ser que um desastre ocorra. E não ocorreu no evento da Band. As cafajestadas, dados delirantes e misoginia do genocida não incomodam nem um pouco seu eleitorado. E um Lula de desempenho surpreendentemente fraco não perdeu voto. Os outros são figurantes do circo, não concorrem de verdade. É fato que Lula deu azar no sorteio da ordem das perguntas, o que o impediu de partir para o embate direto com quem importava. Mas o ex-presidente estava nervoso e inseguro. Já na apresentação dos candidatos podia-se temer que não seria uma grande noite de Lula. Foi o único concorrente que negou um sorriso ao telespectador, revelação do estado de espírito. Na pergunta do genocida, agressiva, Lula poderia responder, por exemplo, sobre rachadinhas e o hábito revelador da família Bolsonaro de quitar imóveis em dinheiro vivo. O único momento que lembrou o Lula inspirado foi quando respondeu à candidata do União Brasil, que ignorou os feitos do governo petista, e disse ter certeza que os empregados da senhora lembravam. Gol. Na discussão sobre mulheres, Lula acertadamente se recusou a garantir que metade de seu Ministério será feminino, mas não aproveitou a deixa para citar as mulheres que foram importantes em seus governos. Percebeu a comida de bola é só nas considerações finais lembrou que indicou para Dilma para sucedê-lo. Como complemento, poderia ter citado que seu partido é comandado por Gleisi Hoffmann. E o genocida? A dúvida é sobre se acredita mesmo nas mentiras verbalizadas, o que configuraria um quadro de problema psiquiátrico, ou é apenas um fascista cinico. A grosseria com a jornalista Vera Magalhães mostrou que não consegue controlar o gênio que carrega a torpeza no DNA. E o sujeito escroto com mulheres ainda tem a cara de pau de cometer que “nós pregamos o amor”. Com certeza, com armas na mão para matar. Os demais candidatos, Ciro fez o papel do bom orador inconformado com a recusa que o povo dá ao gênio que tem todas as soluções para todos os problemas. Talvez seja necessário que se crie o cargo de presidente do mundo para que o ego de Ciro seja satisfeito. Simone Tebet, também boa na verbalização, pode ter crescido. Se depender do debate, pode ter atingido 3 ou 4% nas próximas pesquisas. A senhora do União Brasil foi engraçada. Apresentou como sumidade o seu vice, o velho Marcos Cintra, o folclórico e pedante economista que os paulistas conhecem há 40 anos com seu “Imposto Único”. Ah, teve também o milionário mauricinho do Novo, o tarado pelo mercado. Enfim, um Lula muito longe de seus melhores dias não perdeu voto, talvez uma oportunidade de crescer. O genocida também não teve prejuízo. O ataque covarde a uma jornalista não choca quem vota em elemento já com a capivara lotada de atrocidades.     Carlos Eduardo Alves (Cadu) é jornalista e analista político

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