Por Júlio Benchimol Pinto
Trump passou a semana latindo para o mapa-múndi como se fosse dono do canil global. Tarifa pra cá, Groenlândia pra lá, ameaça geral, dedo em riste e peito estufado.
Bastou sentar cinco minutos com o secretário-geral da OTAN, em Davos, e o valentão virou diplomata de pantufas: recuou das tarifas, descartou “tomar” a Groenlândia pela força e saiu falando em “estrutura de acordo futuro”. Tradução livre: gritei, ninguém tremeu, vamos fingir que foi estratégia.
No meio da encenação, veio o pacote ideológico padrão: discurso sobre “civilização ocidental”, alerta para “salvar o homem branco” e aquele clima de congresso de supremacistas fantasiado de fórum econômico.
O constrangimento europeu foi quase palpável. Davos virou sessão pública de vergonha alheia, com tradução simultânea.
Para coroar o espetáculo, o presidente dos Estados Unidos conseguiu confundir Groenlândia com Islândia diante de líderes globais.
Chamou tudo de “grande pedaço de gelo”, reclamou que a OTAN não estava “lá por nós na Islândia” e ainda contou, com orgulho infantil, que aliados o chamavam de “Daddy”. Geopolítica freestyle, nível aula de reforço que deu errado.
No fim, o velho ditado se impôs com elegância brutal: cachorro que muito ladra, raramente morde. E quando morde, costuma errar o alvo.
O mundo segue tentando administrar o caos enquanto Donald Trump segue achando que bravata é política externa e confusão geográfica é detalhe técnico.










