Quantos “fundos” são PCC S/A disfarçados?

Por Júlio Benchimol Pinto 

 Carbono Oculto: a fumaça tem dono

A Polícia Federal acaba de expor o óbvio ululante que muita gente na Faria Lima fingia não ver: o PCC não lava dinheiro só em biqueira. Lava em fundo “certificado pela CVM”.

A Reag Investimentos, que há anos posa de gestora respeitável, virou alvo porque fazia mais do que aplicar: era sócia histórica do Banco Master e do Nelson Tanure, frequentava conselhos e balanços como se o mercado fosse terreiro particular. Resultado? Fundos administrados por Reag respondiam por mais da metade do portfólio do Master. E, adivinhe, boa parte do dinheiro vinha justamente das engrenagens do crime.

A “sofisticação” é risível: debêntures desviadas, imóveis de luxo em Brasília, compliance “renunciado” na véspera. Na prática, o crime organizado descobriu que fundo de investimento é a lavanderia 5 estrelas do capitalismo tupiniquim.

E não pense que o fio termina aí: a operação chega aos políticos graúdos do Centrão, que agora prendem a respiração como se fossem inocentes pegos de surpresa.

⚖️ É o caso mais didático de como a fronteira entre mercado financeiro e crime organizado se dissolve quando a regulação cochila.
🪓 Se fosse lava a jato, já tinha PowerPoint. Mas aqui, como envolve bilhão, banqueiro e político, vai ter “colaboração” e multa camarada.

👉 Pergunta que não cala: quantos “fundos” ainda são PCC S/A disfarçados de ativo rentável?

Júlio Benchimol Pinto é PHD da Universidade Federal de Brasília(UNB)

 

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