Simão Zygband

Quase fui esfolado vivo quando disse que o Brasil seria zebra se conquistasse a Copa do Mundo. Mas confesso que também não botava muita fé na Argentina. Supunha que um europeu novamente conquistaria a tão desejada competição, pois estavam praticando um futebol de um nível mais elevado que os sul-americanos.
O Brasil não fez por onde conquistar a Copa. Não montou um time com que o país se identificasse. Estava impregnado ainda pelas más vibrações do bolsonarismo, da militância oportunista de Neymar em defesa do Genocida e, por isso, a torcida se dividiu. Confesso que a foto acima, de apresentação dos jogadores, com postura adolescente e pouco profissional, já dava alguma pista do fracasso.
O nosso melhor jogador conseguiu angariar assim a antipatia de milhões de torcedores brasileiros. Muitos não conseguiram torcer pela seleção por causa dele, o mais talentoso e bem pago do país, é verdade, mas que nem de longe com perfil para ser um líder dentro e fora de campo.
O Brasil perdeu a Copa e teve novamente um desempenho sofrível, já de cara, com a convocação equivocada realizada pelo Tite. Utilizou 90% de jogadores estrangeiros, que perderam os vínculos afetivos com o país, personagens que são regiamente remunerados jogando futebol nos grandes centros, mas com notória falta de talento e espírito de grupo, incompatível com o que ganham. A seleção brasileira, novamente, transformou-se em um catado de renomado jogadores muito bons, um acima da média, como Neymar e nenhum gênio como Pelé, Maradona ou Leonel Messi.
O ex-jogador Walter Casagrande, hoje um exemplar analista e comentarista, foi execrado por ex-companheiros de futebol quando disse que o Brasil não criava empatia com a torcida, que os jogadores tinham uma postura arrogante, que preferiram a ostentação a jogar futebol. Alguns deles tiveram a pachorra de comer carne com ouro numa atividade de lazer de péssima qualidade, realizada em plena Copa do Mundo, revelando que estavam desfocados para encarar uma competição de tão alto nível. Se comportaram como um bando de adolescentes mimados, um grupo de batuqueiros, que foram fazer turismo no Qatar. Fui até chamado de “bedel de jogador (sic)” por ter feito esta crítica. Achei o cúmulo eles realizarem esta atividade durante o torneio.
O mesmo não ocorreu com a surpreendente Argentina, que perdeu a primeira partida para a Arábia Saudita e foi crescendo durante a competição a ponto de conquistar o título. O técnico deles, Lionel Scaloni, um profissional inteligente e com a simplicidade peculiar, conquistou o grupo e o teve em suas mãos, comandado evidentemente pela genialidade de Leonel Messi, que dispensa apresentações. Tite, ao contrário, era mandado por Neymar, uma presença tóxica, e para completar a obra, deu emprego para o seu filho, Mateus Bachi, na Comissão Técnica. Um caso de indesejado nepotismo.
Tite não é o único responsável pelo fracasso da seleção brasileira, mas certamente um dos maiores responsáveis. Já estava na corda bamba e aparentemente ligou a tecla foda-se. Deixou o barco correr. Convocou mal, não controlou o vestiário, não era respeitado pelo grupo, que aparentava ser um bando de mercenários ao invés de ter orgulho de defender as cores de seu país. Afinal, que clima havia para trazer a Copa e subir a rampa do Palácio do Planalto junto com o presidente derrotado, o genocida Jair Bolsonaro? Tudo isso pesou muito.

Infelizmente, futebol e política se misturam, pelo bem ou pelo mal. E Messi e seus companheiros lutaram pelo seu país em memória de argentinos famosos como Ernesto Che Guevara, Diego Maradona e dos que estão em plena militância como o Papa Francisco, o presidente Fernández, Cristina Kirschner, as Mães da Praça de Maio e todos os lutadores pela democracia.
Parabéns à seleção dos Queridos Vizinhos!









