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Prodlibe 2024 0973

Legislativo: dois vencedores, a esquerda e a República

Graças à barragem republicana, os franceses defenderam os valores da nossa democracia relegando o RN para o terceiro lugar. Vitoriosa, a esquerda deve cumprir as suas responsabilidades.

 

Obrigado QUEM? Obrigado frente republicana! O cenário incrível deste segundo turno das eleições legislativas que vê, contra todas as expectativas, a Nova Frente Popular em primeiro lugar, a maioria presidencial em segunda posição e a União Nacional apenas em terceiro, apesar de ter sido dado como favorito após o seu avanço nas eleições legislativas no primeiro round.

Decidida muito rapidamente pela esquerda na noite de 30 de junho, com o grosso das tropas da maioria presidencial a mover-se na sua esteira, esta frente republicana que se dizia moribunda terá, portanto, conseguido o essencial: bloquear o caminho para o poder da extrema direita.

Os franceses demonstraram mais uma vez uma maturidade política excepcional ao se mobilizarem massivamente (a taxa de participação foi muito elevada) para defender estes valores republicanos herdados do Iluminismo que fundou a nossa democracia.

Valores que o Rally Nacional, supostamente demonizado, na realidade continua a ameaçar. Ao dizer não a um governo de extrema-direita, os franceses rejeitaram a ideia de uma França xenófoba, rançosa e introspectiva, onde o Estado de direito teria, sem dúvida, sido gradualmente corroído.

Os franceses, da esquerda, do centro, da direita, que se recusaram a ver a extrema direita tomar o poder, salvaram, de certa forma, a ideia que a maioria deles tem da República.

A Esquerda Unida foi a primeira, e muito claramente, a pedir aos eleitores que bloqueiem. Ela se viu recompensada de certa forma, já que os franceses a colocaram na liderança deste segundo turno.

É obviamente, se ousarmos dizê-lo, uma surpresa divina. É claro que a sua maioridade é apenas relativa, mas isso o obriga. Exige que ele viva à altura da maturidade dos eleitores.

Isso será feito tendo em conta que os cidadãos de esquerda fizeram, como em 2002, como em 2017, como em 2022, parte da história. Será assumindo seus valores, e também seu programa, que promete mais igualdade, mais atenção às questões sociais, colocando a escola no centro do pacto republicano, recompensando as políticas de cuidado e tentando responder ao sentimento da perda de valor delas que alimenta o voto para a extrema direita.

Mas ela também estará à altura da tarefa se evitar a ideia de que é bonita demais, forte demais. Ela estará assim também afastando-se do sectarismo que a tornaria cega às condições da sua vitória em 7 de Julho. Estar à altura desta tarefa também impede a frente de esquecer que a extrema direita está mais poderosa do que nunca no nosso país.

 

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