Por Júlio Benchimol Pinto
Bolsonaro pedindo absolvição ao STF por “falta de provas” é como um incendiário reclamar que não encontraram seu fósforo – e esquecer que foi filmado comprando gasolina, perguntando se dava pra pagar em parcelas e pedindo o cupom fiscal.
A peça de 197 páginas tenta embrulhar o golpe num celofane jurídico com o rótulo de “busca de alternativas constitucionais” à derrota nas urnas.
Alternativa constitucional à derrota nas urnas? Existe sim: chama-se aceitar o resultado e fazer oposição democrática. O resto é fanfic golpista com pretensão de parecer tese acadêmica.
Chamar a “minuta do golpe” de apócrifa é tão útil quanto um ladrão dizer que a arma do crime não estava registrada em seu nome.
Alegar que estava fora do país no 8 de janeiro é como o mandante do crime alegar que não puxou o gatilho – só comprou a arma, as balas e deixou o endereço.
E insinuar que a acusação “criminaliza discursos” é esquecer que a liberdade de expressão não é habeas corpus preventivo para conspirar contra a democracia.
Golpe é golpe – seja impresso, digital, oral ou rabiscado num guardanapo de churrascaria. E quem o patrocinou não se absolve na retórica: se explica no banco dos réus, com recibo e tudo.

Júlio Benchimol Pinto é PHD da Universidade Federal de Brasília









