A elitização do parque do Ibirapuera

Por Nabil Bonduki

Passei a manhã no Ibirapuera e constatei que a concessão do parque ao setor privado constrange a presença dos pobres, embora esteja aberto a todos e todas.

Isso porque qualquer produto ou serviço que precise ser adquirido no parque tem um preço abusivo e inacessível para o paulistano que não seja de média e alta renda.

Por exemplo, o único lugar para tomar uma ducha é o espaço Nubank Ultravioleta, cuja construção no parque é irregular.

Mas lá só podem entrar clientes especiais do banco – já pertencentes a um grupo seleto – que têm acesso gratuito a vestiários, chuveiros e armários, enquanto os demais visitantes precisam pagar R$ 150 por pessoa.

Os preços dentro do parque também impressionam. Se um casal utilizasse o espaço Nubank, alugasse bicicletas por uma hora e tomasse água de coco, o passeio sairia por R$ 372.

Isso sem contar a alimentação. Uma tigela de açaí custa R$ 43, um café expresso sai por R$ 12 e os restaurantes seguem a mesma lógica: uma porção de dadinhos de tapioca custa R$ 52, pasteizinhos saem por R$ 56 e um prato individual de espaguete chega a R$ 105.

Até o “menu kids”, para crianças de até 12 anos, está caro: um fettuccine na manteiga, R$ 52.

Uma refeição completa – com entrada, prato principal, sobremesa e café – para duas pessoas pode custar R$ 376. Somado aos outros gastos, um simples passeio em dupla pode chegar a R$ 748.

O estacionamento por R$ 25 por uma hora e os souvenirs, sorvetes e até a água mineral têm preços elevados.

Isso sem nenhuma alternativa mais barata em um parque enorme de mais de 1,5 milhão de m2. Isso sem falar nos shows com ingressos caros que são promovidos no palco externo do parque, onde anteriormente os eventos eram gratuitos.

Embora o Ibirapuera esteja bem cuidado, a experiência de lazer se tornou cara e pouco acessível.

Não há cobrança de entrada e nem catracas, mas, na prática, os altos preços dentro do parque criam barreiras que afastam uma parcela significativa da população – o que é lamentável.

Vamos contestar essa situação e exigir que sejam oferecidos alternativas de produtos e serviços a preços honestos e populares.

Nabil Bonduki é arquiteto,  vereador e ex-secretário Municipal de Cultura de São Paulo

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