Eduardo Leite privatiza parte do patrimônio público gaúcho

 

Por Simão Zygband 

Além de ter apoiado Bolsonaro, governador gaúcho teve campanha financiada pela holding Jereissati

Não há dúvidas que o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com o maior grau de complexidade e contradições. Os gaúchos sempre tiveram a ideia de se transformar em um território livre do Brasil. Não se consideram brasileiros e sempre defenderam o separatismo.
Também não foi a toa que o Rio Grande do Sul se tornou a terra de personagens da política brasileira tão controversas e contraditórias: de um lado, Leonel Brizola e João Goulart, que sempre foram democratas, mas para compensar, Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, dois ícones do regime militar. O primeiro, o mais feroz assassino de opositores.
Os homens do Rio Grande do Sul também sempre se julgaram o exemplo da masculinidade. Que o diga a música “Gaúcho Macho”, do folclórico Gaúcho da fronteira. “Eu sou gaúcho, gaúcho macho. Comigo é bala no bucho e o buraco mais embaixo”.
Bem. Finalmente os tempos também estão mudando para os gaúchos. Em uma entrevista recente, o governador do estado, Eduardo Leite (PSDB) assumiu sua homossexualidade e o seu romance com um médico do Espírito Santo.
Claro que assumir abertamente sua condição de homossexual mereceu aplausos. O candidato a presidente da República que Eduardo Leite apoiou, Jair Bolsonaro, um homofóbico assumido, ironizou a revelação: “O cara está se achando o máximo. Bateu no peito e disse: eu assumi. É o cartão de visita para a candidatura dele”, declarou o genocida.
Independentemente do infeliz apoio de Leite à Bolsonaro, que por governar um estado tão conservador preferiu ocultar até então a sua condição de homossexual, claro que é importante para o seu estado e ao país que ele se assuma como realmente é, sem medo de ser feliz.
No entanto, isso não o redime da grave responsabilidade de apoiar um fascista homofóbico para a presidência da República e, talvez só assuma agora sua condição, quando a nau bolsonarista começa a afundar. É bem provável que não fizesse tal revelação se Bolsonaro ostentasse alta popularidade e com chances reais de se reeleger.

O governo Eduardo Leite

Mas, vamos a questões importantes do governo de Eduardo Leite e não somente a sua condição de homossexual, que não tem importância nenhuma no seu jeito de governar.
Assim como Doria, seu parceiro governador de São Paulo, do mesmo partido, Eduardo Leite realizou ou tentou (em vão) realizar um confinamento contra a Covid-19. No estado já morreram 31.595 pessoas. Foram vacinadas contra a doença 37% do chamado grupo prioritário, 21,7% da população vacinável e 17,1% da população residente. Uma velocidade de vacinação bastante modesta ainda.
O maior financiador da campanha de Eduardo Leite foi a família Jereissati, proprietária da Jereissati Participações S.A, uma holding brasileira que controla empresas como o Shopping Iguatemi, a La Fonte Telecom, a Oi (de quem é o grande acionista), mas que tem poder na Ambev, presidida por Jean Jereissati . É natural que este conglomerado de empresas cobre a fatura e insista em privatizações ou na reforma trabalhista ou previdenciária.
Como governador, atendendo os interesses dos grupos empresariais que bancaram sua campanha, encaminhou a privatização de várias empresas públicas como a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), a Companhia Riograndense de Mineração (CRM), a Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás) e a jóia mais cobiçada pelo setor empresarial, o Banco Estadual do Rio Grande do Sul (Banrisul), da qual Leite já recuou.
Eduardo Leite, independentemente de sua condição sexual, tem a sanha privatista de todos os tucanos, tal qual seu mentor e financiador, senador Tasso Jereissati (PSDB), o chefe do clã, que com a queda da popularidade do governador paulista, João Doria, tenta viabilizar a candidatura de Leite à presidência da República.
Pepe Vargas, o líder da Bancada do PT na ALRS, é um dos críticos do governo de Eduardo Leite: “o governador não tem celeridade para comprar vacinas ou implantar a renda básica emergencial, mas tem pressa em vender o patrimônio do povo gaúcho”, critica o deputado petista. O parlamentar lembra que Leite vai na contramão de vários países do primeiro mundo, que estão reestatizando os serviços de saneamento.
A Corsan, alvo da sanha privatista de Eduardo Leite, é uma empresa estatal de economia mista, que presta serviços de saneamento básico a 320 dos 497 municípios gaúchos. A intenção do governo é manter-se apenas como um acionista minoritário da companhia, com 30% das ações. A justificativa do governador para entregar o patrimônio público é de que o Estado não teria condições de fazer os aportes de recursos necessários para cumprir o novo Marco Público do Saneamento. “Os prazos do novo marco, inicialmente, vão até 2030, Eduardo Leite, que deixará de ser governador no final do ano que vem, não tem o direito de comprometer o futuro do saneamento público no RS”, critica Pepe Vargas, lembrando que os municípios pobres serão os mais prejudicados com a privatização, pois não terão recursos para bancar sistemas municipais de saneamento.

 

 

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