Por Jorge Antonio Barros – Quarentena News
Quase ninguém duvida que o Hamas, organização política e militar palestina, agiu com toda crueldade ao matar mais de 1.200 israelenses – a maioria civis – e sequestrar outras 250 pessoas num ataque sem precedentes em solo israelense, em 7 de outubro de 2023.
Os defensores do Hamas alegam que a organização tinha princípios até que um judeu assassinou 29 muçulmanos em 1994. Aí o Hamas teria decidido partir para o “olho por olho, dente por dente”.
Os relatos dos sobreviventes do ataque de outubro de 2023 não deixam dúvida de que os militantes do Hamas partiram para o tudo ou nada ao invadir o outrora seguro Estado de Israel.
Foi um banho de sangue. Os terroristas não pouparam crianças, mulheres nem idosos. Estupraram mulheres, fizeram o diabo.
Pois esses perigosos terroristas hoje fizeram um gesto inimaginável para o terrorismo de estado que dominou a ditadura militar brasileira.
O Hamas devolveu quatro corpos de vítimas de sua ação terrorista. Eles não assumem a culpa pelas mortes, alegam que foram vítimas de bombardeios de Israel.
Mas poderiam sumir com os corpos. Decidiram devolvê-los com o risco até de suspender as negociações de paz. Com isso, os parentes dessas vítimas terão direito a sepultar seus entes queridos.
Vou repetir: uma organização terrorista palestina devolveu a Israel os corpos de vítimas, entre as quais duas crianças.
Obviamente que isso não absolve o Hamas, mas nos permite concluir que, nesse ponto, o terrorismo de estado pós-1964 foi bem pior que o terrorismo palestino.
No Brasil, os governos militares não foram capazes de devolver os corpos de 140 pessoas que foram assassinadas por agentes do estado, a partir de 1964.
Esses corpos foram enterrados como indigentes em covas rasas, despedaçados e seus restos mortais ocultados na tentativa de esconder os crimes praticados pelos agentes da ditadura.
Os familiares dos desaparecidos políticos não tiveram direito de enterrar seus mortos, como terão os parentes de israelenses assassinados pelo Hamas.

Jorge Antonio Barros é jornalista profissional, editor-chefe do QuarentenaNews e consultor de marketing jurídico.
Nota do editor do Construir Resistência, Simão Zygband – corajoso o texto de Jorge Antonio Barros, com o qual concordo amplamente. Acreditar no heroísmo do Hamas é uma das absurdas inverdades vendidas aos quatro ventos pelos admiradores deste grupo terrorista.
É inegável que os palestinos, tais como os israelenses, merecem ter uma pátria onde se sintam confortáveis entre os seus, falando sua própria língua e cultuando sua religião.
Mas não se pode confundir os assassinatos de um bebê de 6 meses e uma criança de 4 anos, sequestrados pelo Hamas, na forma mais asquerosa de terror com a legítima luta política que se trava há décadas.
Sou de ascendência judaica, jamais fui sionista ou mesmo ortodoxo (mas tenho parentes com esta característica). Estudei em escola judaica LAICA.
Sempre ouvi dizer que o sionismo era o direito dos judeus possuírem uma pátria. Não vejo nenhum equívoco nisso. Todos povos gostam de viver entre os seus semelhantes. E se não gostarem, podem não viver entre eles. Livre arbítrio. Por que, exatamente os judeus não podem querer ter sua terra, ser “sionista”?
O sionismo foi capturado pela extrema direita judaica. Há uma guerra entre dois lados extremistas: o regime de Benjamin Netanyahu e o dos terroristas do Hamas.
Entre eles, no meio do fogo cruzado incentivados pelos EUA e a indústria bélica deles (tendo os banqueiros bancando a desgraça) estão os civis. Homens, mulheres, crianças, idosos, que não são nem “sionistas”, nem hamazistas. São inocentes.
A nossa luta é pelo fim dos intolerantes. Não é uma disputa fácil. Mas é a que tem que sair vencedora.
Meus pêsames para todos os mortos assassinados nesta guerra estúpida…











Respostas de 2
Ótimo comentário
É absurdo considerar que a devolução dos corpos de crianças assassinadas pelo Hamas et caterva é um ato humanitário. Foi feito em troca da liberação de criminosos julgados e condenados.