Construir Resistência

24 de maio de 2024

Nisenbaum

Chancelaria negligenciou com refém brasileiro em poder do Hamas

Por Simão Zygband Não é segredo para ninguém que o Brasil está melhor no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que no de seu antecessor. Governos são construção coletiva, já que ninguém é dono da verdade. Mas não poderia deixar de pontuar o que considero uma falha nas relações internacionais promovidas pela Chancelaria brasileira, algo que, a meu ver, beirou a negligência e a omissão. Hoje surge a notícia de que as forças armadas israelenses recuperaram na sexta-feira, em Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, o corpo do brasileiro Michel Nisenbaum, de 59 anos, que havia sido sequestrado pelo grupo terrorista Hamas. Ele era natural de Niterói, no Rio de Janeiro e desapareceu na manhã de 7 de outubro de 2023, no dia do ataque, quando saiu para buscar a neta de quatro anos em uma base militar na cidade de Re’im, sul do país, onde ela estava com o pai, um soldado do Exército israelense. Supõe-se que tenha sido morto no mesmo dia do seu sequestro.  Como todo e qualquer cidadão brasileiro, independente da sua origem, ele deve receber todo apoio do governo no Exterior, seja através do Consulado ou da Embaixada. Isso parece inquestionável. A mim, não pareceu ter havido nenhum esforço da chancelaria brasileira para tentar libertar o brasileiro. Sequer dar maior divulgação e mostrar a insatisfação do governo brasileiro com o sequestro de um cidadão pátrio. E vão falar em contrário: e as criancinhas palestinas e os 40 mil mortos em Gaza?Não se trata de relações internacionais, nem de definição de estratégia do país nas decisões diplomáticas. Simplesmente Nisenbaum e sua família foram praticamente abandonados à própria sorte. Tenho certeza que o corpo diplomático brasileiro em Israel vai tentar provar o contrário, descrevendo suas ações na tentativa de libertar o refém nacional. Mas não. Houve uma “defesa” pálida e insossa, quase inexistente, como se não tivesse um brasileiro nas mãos dos terroristas do Hamas. Talvez não os considerassem como tal. A omissão tem, portanto, um leve gosto de antissemitismo. Dane-se, afinal é  “apenas” um judeu, quiçá sionista. Lula e seu consultor, Celso Amorim, devem ter temido uma suposta reação negativa, por parecer que com a defesa de Nisenbaum, estavam conivente com o governo sanguinário do extremista Benjamin Netanyahu. Mas não era o caso. O governo brasileiro deveria ter se empenhado mais na localização de Michel Nisenbaum, dado maior repercussão ao caso. Mas não, preferiu se amoitar. Lula certamente recebeu os familiares do refém, mas não jogou nenhum peso para defender o cidadão brasileiro. E se fosse o contrário, um cidadão brasileiro de origem palestina sequestrado pelas forças israelenses? O governo brasileiro não teria se empenhado mais, surfando na gigantesca onda internacional que se formou na defesa do povo palestino, representados desafortunadamente pelos terroristas do Hamas? Lamento que Nisenbaum tenha sido deixado para trás pelo governo brasileiro, apesar de Lula ter dito o contrário. A sua defesa era menos importante do que se posicionar a favor da denúncia da África do Sul no Tribunal da ONU, assinando uma petição que designava Israel como um estado “genocida”? Isso torna o Lula um antissemita? Claro que não. Mas dificulta o duro diálogo interno havido dentro da comunidade judaica exatamente em apoio à sua candidatura e ao seu governo. Nem Hamas, nem Netanyahu, o lado sanguinário e podre da mesma moeda. Meus pêsames aos familiares de Nisenbaum. O CONSTRUIR RESISTÊNCIA DEPENDE DO SEU APOIO  PIX para o editor Simão Félix Zygband 11 911902628 (copie e cole este número no pix) Simão Zygband é jornalista, com ascendência judaica, editor do site Construir Resistência, com passagens por jornais, TVs e assessorias de imprensa públicas e privadas.                  

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O Rio Grande do Sul inundado e sem comando

Por Moisés Mendes no Brasil 247 “A sensação de desamparo dos gaúchos é ampliada pela fragilidade e falta de liderança do governador e do prefeito”. O governador Eduardo Leite e o prefeito Sebastião Melo não têm condições de liderar os esforços para salvar o Rio Grande do Sul e Porto Alegre. Os gaúchos vivem o desafio da sobrevivência e da reconstrução em meio a mais uma cheia, com Porto Alegre inundada de novo e sob o comando de dois gestores enredados em suas fraquezas e incompetências. Não é retórica a pergunta sobre o que irá sobrar do Estado e da capital, se os dois continuarem errando tanto na tentativa de corrigir as próprias omissões e ações destrutivas. Mas fazer o quê? Fazer o que direita e extrema direita sempre tentam quando o poder os incomoda? É possível imaginar que ambos possam ser desautorizados a seguir governando por decisão de legislativos com maioria de direita? É viável convocar uma junta de notáveis de todas as áreas, que salve o Estado? É razoável pensar em fortalecer o ministro extraordinário Paulo Pimenta, para que assuma, por capacidade de liderança e de trabalho, o que Leite e Melo não conseguem fazer? Vamos federalizar a solução de todos os problemas dos gaúchos? Não tem como. Não há nem como pensar em viabilizar politicamente um comando federal mais forte, se esse é um Estado que já era  conservador e foi sequestrado pelo bolsonarismo. São os dilemas da democracia em momentos trágicos. O Brasil se submeteu ao desgoverno de Bolsonaro na hora da pandemia. As instituições se acovardaram e não interromperam as ações genocidas de Bolsonaro. O povo nas ruas não teve forças para derrubá-lo. O Rio Grande do Sul é subjugado agora pelos desgovernos de Eduardo Leite e Sebastião Melo, e a sensação é a mesma, de que não há como contê-los. Ambos são incapazes de tomar as mais singelas decisões pontuais. Ambos foram alertados da primeira cheia. Foram advertidos depois de que, sem prioridade à recuperação urgente do sistema de drenagem de Porto Alegre, a cidade seria alagada de novo. As águas voltaram a invadir Porto Alegre, brotando de bueiros de um sistema degradado por inoperância e sabotagem da prefeitura antes e depois da primeira inundação. Leite pode dizer, como insinuou no Roda Viva, que os problemas de Porto Alegre são do prefeito. Não são. Áreas de toda a Região Metropolitana estão alagadas, com raras exceções. Os problemas não só apenas de Melo, como não são os danos e os esforços de reconstrução enfrentados pelos prefeitos de dois terços do Estado. Falta a Leite e a Melo a capacidade de transmitir confiança, de que estão tentando fazer a coisa certa. Não fizeram quando dos alertas do fim de abril e não fazem agora de novo. Em circunstâncias semelhantes, em empresas e entidades privadas ou mesmo em órgãos públicos com chefias designadas, os dois governantes já teriam sido destituídos. Mas como mandar Leite e Melo embora? As turmas ligadas a eles golpearam Dilma Rousseff por crime de responsabilidade fiscal, que ninguém, nem o mais bem informado dos bolsonaristas, sabe dizer hoje do que se tratava. E não era uma emergência. Leite e Melo lidam com urgências que podem continuar matando gente e destruindo cidades. Podem ser destituídos por crime de responsabilidade socioambiental? É previsível que, mais adiante, o Ministério Público e o Judiciário os enquadrem em delitos por ações destrutivas deliberadas contra o meio ambiente. Mas só mais adiante? E antes se faz o quê? Antes, vamos deixar claro que já sabemos de todas as responsabilidades e que vereadores e deputados estaduais e federais poderão ser apontados formalmente como cúmplices de decisões que levam à destruição. Leite e Melo são duas figuras que se esforçam para esconder o cansaço que carregam junto com a incapacidade de lidar com os desafios acumulados há um mês. A tragédia e suas sequelas se aprofundam junto com a sensação de que os principais governantes do Estado são flagelos da política. Leite e Melo terão de enfrentar também as consequências do desamparo e do desespero que ajudaram a criar.    

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A vitória do sanduíche que engorda

Por Jorge Antonio Barros, com “The New York Times”   Dirigido por Morgan Spurlock e estrelado por ele, o documentário “Super Size me”, que relata a experiência do diretor que engordou e adquiriu várias doenças depois de se alimentar apenas de sanduíches do MacDonald’s, teve um sucesso estrondoso, arrecadando mais de US$ 22 milhões com um orçamento de US$ 65 mil. Seguindo Spurlock enquanto ele não comia nada além de McDonald’s por 30 dias – e os efeitos nocivos que essa dieta teve sobre sua saúde -, o filme se tornou o ponto alto de uma onda de sentimentos contra o fast food. O McDonald’s, especificamente, tornou-se um símbolo da hegemonia brilhante do capitalismo americano, tanto no país quanto no exterior. “McJobs” tornou-se um termo para cargos mal remunerados e sem saída, e “McMansions” para casas extravagantes e grandes. Em 1992, o teórico político Benjamin Barber usou o termo “McWorld” como abreviação do domínio neoliberal emergente; sete anos depois, os manifestantes contra a Organização Mundial do Comércio pareciam concordar, lançando uma caixa de jornal pela janela do McDonald’s durante as marchas da “Batalha de Seattle”. Dois anos depois, foi publicado o livro “Fast Food Nation”, de Eric Schlosser. Uma ampla acusação de todo o setor de fast food, o best-seller acusou o setor de ser ruim para o meio ambiente, repleto de problemas trabalhistas, culturalmente achatador e culinariamente engordativo. Mas, duas décadas depois, não apenas o McDonald’s está maior do que nunca, com quase 42 mil estabelecimentos em todo o mundo, mas o fast food em geral cresceu. Atualmente, existem cerca de 40 redes com mais de 500 estabelecimentos nos Estados Unidos. O fast food é o segundo maior setor de emprego privado do país, depois dos hospitais, e 36% dos americanos – cerca de 84 milhões de pessoas – comem fast food em um determinado dia. Os três principais atrativos do fast food permanecem intactos: o preço baixo, a rapidez da entrega e as pessoas gostam de seu sabor. É impossível negar, por exemplo, que você recorra a uma lanchonete do McDonald’s num lugar como os Estados Unidos, onde a comida em geral é muito cara e mal temperada para quem tem papilas gustativas educadas no hemisfério sul. Ainda me lembro da primeira loja do Brasil, inaugurada em 1979, na Rua Hilário de Gouvêa, em Copacabana, o mesmo bairro onde nasceu o Bob’s, na Domingos Ferreira, em 1952. Foi fundado pelo americano Robert Falkenburg, marido da atriz Sylvia Bandeira. Mas essa é uma outra história. Jorge Antonio Barros é jornalista profissional desde 1981. Atualmente é editor-chefe do Quarentena News e consultor de marketing jurídico.  

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