Trump agora quer invadir o Brasil

Por Simão Zygband

Era só o que faltava: Donald Trump, com o pretexto de combater o crime organizado como o Comando Vermelho e o PCC, quer invadir o Brasil.

Este mesmo expediente foi utilizado na Venezuela, que sobre o pretexto de combater o narcotráfico, sequestrou o presidente Nicolás Maduro.

Trump é, antes de tudo, um invasor. Também pretende fazer o mesmo em Cuba.

Durante seu governo, promoveu ações militares contra a Venezuela, Irã e Palestina, utilizando nestes dois últimos Israel, seu principal aliado no Oriente Médio.

Trump, que se julga acima do bem e do mal, volta seus olhos gananciosos para o Brasil, país rico em terras raras, essenciais para o desenvolvimento das novas tecnologias.

A ideia surge agora, com esta lógica imperial Trumpista: a intenção de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

À primeira vista, pode parecer apenas mais uma medida contra o crime organizado.

Na prática, trata-se de algo muito mais grave.
Ao transformar esses grupos em “organizações terroristas”, os Estados Unidos criam uma justificativa legal para ações militares fora de seu território.

Isso significa que operações, bases ou áreas onde esses grupos atuem poderiam ser tratadas como alvos legítimos de ataques, inclusive em território brasileiro.
Washington já utilizou exatamente essa lógica em diversos países do Oriente Médio e da América Latina.

O combate ao terrorismo ou ao narcotráfico costuma servir de pretexto para ampliar a presença militar e o controle político sobre regiões estratégicas.

O Brasil evidentemente não está preparado para uma situação dessa natureza.

As Forças Armadas do Brasil convivem há décadas com sucateamento, falta de investimento em tecnologia e dependência externa em áreas estratégicas de defesa.

Um confronto direto ou mesmo uma pressão militar de uma potência como os Estados Unidos colocaria o país em posição extremamente vulnerável.

O governo do presidente Lula caminha sob ovos.

A diplomacia com Trump exige prudência e firmeza.

A história mostra que, quando os interesses norte-americanos entram em jogo, alianças e simpatias pessoais desaparecem.
O Brasil precisa enfrentar o crime organizado com seus próprios instrumentos.

É bem verdade que ele se infiltrou em praticamente todas as instâncias institucionais.

É um cancro que precisa ser extirpado, inclusive com seus tentáculos no Congresso e no Judiciário.

Mas jamais com “ajuda” e ingerência estrangeira.

Lula não pode confiar em Trump.

A soberania brasileira precisa estar à frente de qualquer questão.


Simão Zygband é jornalista, com mais de quatro décadas de atuação na imprensa e em assessorias públicas. Colabora com análises políticas e sociais para veículos independentes.

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