Por Simão Zygband
O governo precisa mostrar de maneira clara, ampla e objetiva quem são os verdadeiros corruptos.
Já vimos este filme antes.
O cheiro é o mesmo do golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff e da fatídica operação Lava-Jato, de triste memória.
A política segue marcada por um desequilíbrio na disputa de narrativa. Enquanto a extrema-direita e setores da mídia corporativa atuam de forma agressiva para desgastar o governo do presidente Lula, o Planalto parece permanecer excessivamente na defensiva.
Os ataques não são novos, mas se intensificaram nas últimos meses.
Natural quando teremos eleições gerais em outubro e Lula ainda lidera as intenções de votos, apesar da publicação de várias pesquisas marotas que mostram o contrário.
Mas não se pode bobear.
A oposição tenta colar no governo o escândalo do banco Master, que tem todas as impressões digitais do bolsonarismo.
O escândalo foi formado dentro do Banco Central quando era presidente o bolsonarista Roberto Campos.
Ele permitiu operações fraudulentas, que regaram campanhas eleitorais da extrema-direita como dos governadores Tarcísio de Freitas (SP), Cláudio Castro(RJ) e Ibaneis Rocha(DF).
Também foram beneficiados diversos parlamentares do Centrão, inclusive e sobretudo o presidente da Câmara, Hugo Motta.
Arriscaria dizer que o banco Master e seu escândalo financeiro foi o principal duto de financiamento das campanhas conservadoras.
Tudo sob a fachada de pastores e igrejas evangélicas, como a Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor Guilherme Batista, parceiro de agendas do deputado Nikolas Ferreira (PL/MG).
Assim o dinheiro surgiu como motivado por um milagre divino.
E não faltou nas torneiras conservadoras
Mas nada disso ganhou destaque na grande mídia, apoiadora da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas.
O que se produz na mídia tradicional e nas redes sociais é uma campanha midiáticas para desgastar Lula.
Habilmente a oposição conseguiu fazer passar no Congresso a quebra do sigilo bancário de Lulinha, filho do presidente.
Uma manobra que parece muito mais voltada ao espetáculo político, para criar uma cortina de fumaça sobre o principal escândalo, o do banco Master.
A direita tenta colar no filho do presidente a tramoia do INSS, quando milhões de aposentados e pensionistas foram lesados com descontos fraudulentos.
A ofensiva também busca atingir o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, inimigo do bolsonarismo, tentando vinculá–lo ao banqueiro criminoso Daniel Vorcaro.
Diante desse cenário, o governo Lula tem permanecido na defensiva.
Não parece ser a postura correta ante tantos ataques.
Prefere investir em agendas positivas como o Dia Internacional das Mulheres, o Feminicidio ou o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1.
Claro que são temas fundamentais. De extrema importância. Mas parecem não ter grande apelo quando o assunto é corrupção.
O governo precisa mostrar de maneira clara, ampla e objetiva quem são os verdadeiros corruptos.
Se livrar das pechas engendradas da oposição.
Não deixar colar nele toda esta podridão.
Comunicar políticas públicas, neste momento, não basta quando o adversário opera numa lógica permanente de ataque.
É necessário fazer a disputa de narrativa.
Deixar acusações sem resposta abre espaço para que versões distorcidas ganhem força.
E o governo Lula não pode dar este espaço para que os totalitários se criem.
Já assistimos este filme de terror antes.

Simão Zygband é jornalista e analista político. Escreve sobre política brasileira, mídia e democracia no site Construir Resistência.
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