Da Redação
E QUANDO BOULOS se filiará ao neoPT? Sim, porque a partir de decisão congressual do Psol, o partido só abria exceção na participação em governo Lula para Sonia Guajajara.
A decisão por “independência” estabelecia que não haveria participação. O que vai prevalecer, a decisão partidária ou a vontade de Boulos?
FICO NA DECISÃO de deliberação da direção do Psol sobre esse desprezo pela instituição que acolheu o arrivista e sua tropa.
Milton Temer – Rio de Janeiro (RJ)
Revolucionário das Perdizes
Desde pelo menos 2015 – passados dez anos – com a criação da Frente Povo Sem Medo – num contexto em que o PT aplicava cortes sociais e Dilma Rousseff já era ameaçada de impeachment -, o partido e Guilherme Boulos aproximaram-se consideravelmente, com o objetivo não declarado de manter a coesão da base social petista.
Esse processo teve início após as Jornadas de Junho de 2013, quando a Prefeitura de São Paulo era comandada por Fernando Haddad e Dilma ainda ocupava a Presidência da República.
Apesar do discurso radical – típico de grêmios estudantis para a juventude, sempre tão crédula, e dirigido também à elite intelectual de esquerda, representada pela direção do PT -, o MTST se beneficiava diretamente das políticas sociais do programa Minha Casa, Minha Vida.
Mesmo com ações simbólicas como a “Copa do Povo”, o movimento jogava em dois tabuleiros: de um lado, mantinha a retórica combativa; de outro, estreitava seus laços com a burocracia petista.
Com o aceite ao cargo de ministro, o PT escancara seu domínio sobre a principal liderança do PSOL.
Nas eleições municipais, a dúvida de Fernando Haddad – e de parte significativa do eleitorado – era se o número na urna de Boulos seria 13 ou 50.
Seguindo um caminho semelhante ao de Marcelo Freixo, em uma lógica de maximização política típica de qualquer articulação do centrão – ou, neste caso, do centrão de esquerda -, o número é, indubitavelmente, o 13.
A questão que se impõe é: caso Boulos não se candidate em 2026, como o PSOL sobreviverá como sigla sem o seu principal puxador de votos?
Apesar dos discursos inflamados e da retórica radical, boa parte da bancada do partido foi eleita graças às migalhas do capital político de Lula, mediadas pela aliança com Boulos.
E também evidencia que o PSOL há muito deixou de ser uma alternativa real – não apenas ao petismo, mas ao conjunto do sistema político que o PT ajudou a moldar desde os anos 2000.
As perspectivas personalistas de Boulos e de seu grupo próximo podem até ser promissoras para eles mesmos, mas representam um revés para os setores que buscavam construir uma alternativa ao personalismo lulista, à hegemonia petista na esquerda e à lógica de reprodução de poder típica do establishment partidário.
Thiago Miagushi – São João da Boa Vista (SP)
Cavalo de Tróia
Provavelmente o maior cavalo de Tróia da história do PSOL.
Prêmio por serviços prestados.
Paula Simone Ribeiro – São Paulo (SP)
Puxadinho
É o PSOL se consolidando como puxadinho do PT…
Waldir Giacomo – Juiz de Fora (MG)
Rumo governista
É triste ver o rumo governista de um partido que surgiu como uma divergência do PT no governo. Perdeu todo o sentido a sua existência.
Fernando Padilha – Rio de Janeiro (RJ)
Melhor notícia
Essa é a melhor notícia para o PSOL, que, com o reconhecimento do Boulos, tem a possibilidade de se conectar com o povo e fazer política de verdade, para além da internet.
Rodrigo Lima – Rio de Janeiro (RJ)
Bolo solado
O bolo solado é o peleguinho, aprendiz do pelegão, sapo barbudo.
É triste ver a decadência do PSOL.
Tomara que a minoria decente, de esquerda, aguerrida, consiga reverter essa curva descendente.
Carlos Vieira – Rio de Janeiro (RJ)
A declaração de Lula
Convidei o deputado Guilherme Boulos para assumir o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele vai substituir o companheiro Márcio Macedo na função, a quem agradeço por todo o trabalho realizado para a ampliação e o fortalecimento da participação social em nosso governo. A nomeação de Boulos sai hoje no Diário Oficial.
Foto: Ricardo Stuckert/PR – Boulos, Lula e Macedo











