Fotógrafa ameaçada por registrar ação de pichadora golpista

Por Simão Zygband
Abraji
As ameaças fizeram com que a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgasse nota em apoio a ela e a sua colega, Thaisa Oliveira, cobrando providências para conter e apurar campanha de perseguição a jornalistas da Folha, sobretudo a fotógrafa, que no exercício da profissão, apenas registrou os fatos.

“As ameaças recebidas pelas duas jornalistas e largamente difundidas nas redes sociais precisam ser imediatamente investigadas e seus responsáveis punidos, numa manifestação direta de que esse tipo de comportamento não pode afetar a liberdade de imprensa nem a segurança física e emocional dos jornalistas”, diz a nota.

Mulher cristã

Natural de Irecê (BA), Débora é mãe de duas crianças, de 6 e 11 anos, e está presa no Centro de Ressocialização Feminino de Rio Claro, no interior de São Paulo. Ela trabalhava como cabeleireira e vivia em Paulínia (SP) antes de ser detida.

Débora é casada com o pintor Nilton Cesar dos Santos, que tem cuidado dos filhos enquanto a esposa está presa (foto acima).

Frequentadora da Igreja Adventista do 7º dia, ela é descrita como “mulher cristã, justa, honesta e que sempre defendeu a família” por parentes.

Ela foi denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O julgamento de Débora começou ontem (21) no plenário virtual da Corte e Alexandre de Moraes votou para condená-la a 14 anos de prisão. Neste sábado, Flávio Dino seguiu o voto do relator.

Caminho do crime

Apesar de tentar passar uma imagem de injustiçada, de perseguida, Débora aparentemente não teve atitudes cristãs quando deixou seus filhos pequenos para participar dos atos golpistas de 8 de janeiro.

Na linguagem do Direito Penal, existe um conceito-chave: iter criminis — o “caminho do crime”.

Ele descreve a progressão entre a ideia criminosa e a concretização, passando por etapas como cogitação, preparação, execução e, se consumado, o resultado final.

No caso de Débora, o gesto com o batom foi apenas o último passo de um trajeto longo, consciente e articulado, como detalhado no voto do ministro Alexandre de Moraes.

Segundo o relator, Débora aderiu, desde o final das eleições de 2022, a movimentos que negavam a legitimidade do processo eleitoral.

Participou de acampamentos diante de quartéis, onde se pregava insistentemente uma intervenção militar, apoiou publicamente a ruptura da ordem constitucional e, no dia 8 de janeiro de 2023, integrou o grupo que invadiu e depredou as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
A frase na estátua foi a assinatura final de uma narrativa golpista escrita ao longo de meses.
“A denunciada […] concorreu para a prática dos crimes, somando sua conduta, em comunhão de esforços com os demais autores, objetivando a prática das figuras típicas imputadas”, escreveu Moraes.
Para o ministro, Débora não apenas participou do ato, mas “revelou desprezo para com as instituições republicanas” ao apagar registros do próprio celular, em tentativa de ocultar provas de sua participação nos atos.
Em seu voto, o magistrado afirmou que Débora “não só participou das manifestações antidemocráticas como também foi a responsável pelo vandalismo” durante o ataque.
O julgamento tem previsão de término no próximo dia 28 e restam os votos de Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux, que compõem a Primeira Turma com Moraes.
Para complicar sua situação, o homem-bomba, Francisco Wanderley Luiz, que morreu após explosões em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF),  deixou um recado no espelho da casa em que estava hospedado para a golpista.
“Débora Rodrigues. Por favor, não desperdice batom!!! Isso é para deixar as mulheres bonitas!!! Estátua de merda se usa TNT!”, afirmou o recado.
Simão Zygband é jornalista e editor do site Construir Resistência
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