Pedaladas

Roberto Garcia

 

Ela bem que merecia. Derrubaram a presidente. Deu pedalada. Em bicicleta, sim, dava voltas pra se exercitar lá pelas ruas próximas ao Palácio da Alvorada. Andava meio gordinha. Não, não foi por isso. Foram outras pedaladas. Ela tirou dinheiro do Banco do Brasil prá adiantar empréstimos para a agricultura. O tal do Plano Safra. O pessoal caiu em cima. Era ilegal. Não podia. Tinha que tirá-la. Tiraram. Ficou uma maravilha. Olhe só o jeito que está.

Mas estamos em perigo. Tem mais pedalada no ar. Essa ninguém esperava. O diabo é que se não encontrar grana uma atividade essencial para, caput, desanda. E aí? Explico melhor.

É que ao elaborar o orçamento do governo para o este ano, o congresso cortou 2,5 bilhões que estavam destinados à agricultura. Lembre-se que isso é dinheiro daquele pessoal que apóia entusiasmado o nosso querido Jair Messias. Criador de boi e plantador de soja, principalmente. Esse pessoal gosta de todas as medidas de austeridade. Para os outros. Para eles próprios, amiguinha, o governo tem que soltar muita grana, bilhões de reais.  E rápido, na hora certa, do contrário as colheitas se perdem, apodrecem no campo. Os bois ficam com fome, não engordam. Mirradinhos não dão carne, sem carne não dá dinheiro. Esse é o único setor da economia que vai bem, o resto está desmoronando. Você entende o mapa, não precisa desenhar.

No total, eram seis bilhões de dólares. Mas foi cortado mais de um terço. Pior é que boa parte era de compromissos já assumidos anteriormente. O buraco está crescendo. Podia usar uma graninha do Banco do Brasil. Foi o que a Dilma fez. Muitos antes dela fizeram. Mas com ela foram rigorosos. Isso não pode por causa da lei da responsabilidade fiscal. Aquela da qual FHC se orgulha, que pôs ordem na bagunça. Embora ele próprio tenha violado essa mesma lei. Mas ele podia. Era príncipe. Ela não, é petista. Pau em petista.

Agora, Guedes diz que não tem dinheiro. Pra tirar do banco é ilegal. Se não tira o boi morre. A soja vai pra o vinagre. A tal lei é uma maravilha. Em tempo bom, de muita grana. Agora, não é bem isso. Eu acho que esse vai ser outro grupo, contrariado por Jair.

Mas ele ainda tem gente importante. Em contato direto com o céu. Vinde a mim bons pastores. Com eles, nada me faltará.

 

Roberto Garcia é jornalista. 

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