Construir Resistência

17 de julho de 2023

Na Bélgica, Lula critica extremismos e condena guerra

Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil  Presidente discursa na abertura da Cúpula Celac-União Europeia Em discurso nesta segunda-feira (17), na abertura da 3ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia, em Bruxelas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou temas como democracia, criticou extremismos políticos, condenou a guerra na Ucrânia, falou sobre meio ambiente e combate à fome e voltou a defender uma nova governança global entre as nações. Cerca de 60 líderes estrangeiros dos países-membros dos dois blocos participam do encontro, que termina nesta terça-feira (18). A reunião de líderes de nações dos dois continentes não ocorria desde 2015. Eis os principais pontos do pronunciamento de Lula no discurso aos demais chefes de Estado e de governo: Extremismo político e regulação digital “Nossas regiões estão ameaçadas pelo extremismo político, pela manipulação da informação, pela violência que ataca e silencia minorias. Não existe democracia sem respeito à diversidade. Sem que estejam contemplados os direitos de mulheres, negros, indígenas, LGBTQI+, pobres e migrantes”, destacou Lula, que defendeu políticas de inclusão social, digital e educacional. O presidente brasileiro falou sobre os avanços da revolução digital no acesso a serviços e ao consumo e destacou a necessidade regulação do setor, inclusive por meio de uma coordenação internacional. “É urgente regulamentarmos o uso das plataformas para combater os ilícitos cibernéticos e a desinformação. O que é crime na vida real deve ser crime no mundo digital. Aplicativos e plataformas não podem simplesmente abolir as leis trabalhistas pelas quais tanto lutamos.” Governança global e guerra Lula voltou a criticar o atual modelo de governança global, que, segundo ele, “perpetua assimetrias, aumenta a instabilidade e reduz as oportunidades para os países em desenvolvimento”. “No Haiti, temos uma grave crise multidimensional, que não se resolverá caso seja abordada apenas pelas vertentes migratória e de segurança. Sua superação ocorrerá com a mobilização de recursos adequados para projetos de desenvolvimento estruturantes”, exemplificou. Sobre a guerra na Ucrânia, o presidente ressaltou que é mais uma confirmação de que o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) não atende aos atuais desafios à paz e à segurança globais. E ainda repudiou a adoção de sanções econômicas. “Seus próprios membros não respeitam a Carta da ONU. Em linha com a Carta das Nações Unidas, repudiamos veementemente o uso da força como meio de resolver disputas. O Brasil apoia as iniciativas promovidas por diferentes países e regiões em favor da cessação imediata de hostilidades e de uma paz negociada. Recorrer a sanções e bloqueios sem o amparo do direito internacional serve apenas para penalizar as populações mais vulneráveis”, argumentou. No discurso, Lula também anunciou que vai trabalhar pela reforma da governança global durante a presidência temporária do G20, grupo de que reúne as maiores economias do planeta, que será assumida pelo Brasil no ano que vem. Fome, desigualdade e meio ambiente Lula também criticou a manutenção de padrões de consumo incompatíveis com a atual crise ambiental global, ao mesmo tempo que o planeta vê o aprofundamento das desigualdades sociais, especialmente após a pandemia. “Mantivemos os hábitos irresponsáveis de consumo, incompatíveis com a sobrevivência do planeta. A desigualdade só fez crescer: os ricos ficaram ainda mais ricos, e os pobres, ainda mais pobres”, enfatizou. O presidente citou os 735 milhões de seres humanos que passam fome, segundo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado na semana passada. “E, mesmo com todos os sinais de alerta emitidos pelo planeta, ainda há quem negue a crise climática. E, mesmo os que não a negam, hesitam em adotar medidas concretas”, acrescentou. “Apenas em 2022, em vez de matar a fome de milhões de seres humanos, o mundo gastou 2,24 trilhões de dólares para alimentar a máquina de guerra, que só causa mortes, destruição e ainda mais fome”, prosseguiu. Lula ainda criticou os países ricos por não cumprirem a promessa, feita em 2009, de destinar US$ 100 bilhões ao ano para os países em desenvolvimento, como forma de compensação pela crise do aquecimento global e necessidade de ações de mitigação e adaptação. O presidente também se comprometeu com a preservação da Floresta Amazônica e ressaltou a necessidade de garantir condições dignas para a população que vive na região. “Esta Cúpula Celac-União Europeia é também uma forma de dizermos: Basta. Um outro mundo é possível. Cabe a nós construí-lo, a muitas mãos”, encerrou. Acordo comercial Mais cedo, antes da abertura da cúpula, Lula se encontrou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Eles voltaram a conversar sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. No encontro, Lula disse ter a esperança de concluir um acordo entre os blocos ainda em 2023. Em seguida, Lula participou de um fórum empresarial, onde também discursou. A agenda oficial do presidente na manhã de hoje também incluiu reuniões e encontros com outros líderes políticos, entre os quais, o rei da Bélgica, Philippe Léopold Louis Marie, e o primeiro-ministro da Bélgica, país anfitrião, Alexandre De Croo. Também já foram confirmados compromissos com os representantes da Áustria e da Suécia. O retorno do presidente Lula a Brasília está previsto para quarta-feira (19).

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“Desaceleração da economia pelo BC chegou forte”, avalia Haddad

Por Wellton Máximo – Agência Brasil  Ministro afirma que juros reais perto de 10% ao ano são insustentáveis A desaceleração da economia obtida pelo Banco Central (BC) por meio dos juros altos está dentro do esperado, mas veio forte e afeta a economia, disse nesta segunda-feira (17) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele comentou o recuo de 2% do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) em maio em relação a abril, divulgado nesta manhã pelo Banco Central (BC). “[Está] como esperado [o IBC-Br]. Muito tempo de juro real muito elevado. Nós estamos preocupados, estamos recebendo muito retorno de prefeitos, de governadores sobre arrecadação, a nossa mesma aqui”, afirmou Haddad no início desta tarde. Divulgado todos os meses pelo BC, o IBC-Br funciona como um tipo de prévia do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país). O ministro voltou a criticar a política de juros altos e disse que taxas reais (juros menos inflação) em torno de 10% ao ano prejudicam a economia. “A pretendida desaceleração da economia pelo Banco Central chegou forte. A gente precisa ter muita cautela com o que pode acontecer se as taxas forem mantidas na casa de 10% o juro real ao ano. Está muito pesado para a economia”, acrescentou. Em 1º e 2 de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reúne-se para decidir se mantém a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 13,75% ao ano ou se começa um ciclo de cortes. Esse será o primeiro encontro após a posse dos novos diretores do BC, Gabriel Galípolo (Política Monetária) e Ailton Aquino (Fiscalização). Haddad deu a declaração ao voltar de reunião no Palácio do Planalto incluída de última hora na agenda. Segundo o ministro, o encontro tratou sobre eventuais ajudas a cooperativas de catadores de lixo, cuja população pode estar subestimada. “O Cadastro Único [do governo federal] aponta 300 mil pessoas como catadores de materiais recicláveis, mas o número real pode chegar a 1 milhão. A Fazenda foi demandada a traçar cenários para ajudar essa população”, informou o ministro.

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Visitou Mauro Cid na prisão e foi comandar interinamente o Exército Brasileiro

Por Hugo Souza – Come Ananás    Com a palavra, o general Tomás Paiva e o ministro José Múcio, para dizerem umas palavras sobre se cabe a um general da ativa, do alto comando e apto a comandar o Exército visitar na prisão um colega de farda que conspirou para um golpe de Estado   Na última quinta-feira, 13, Lauro Jardim, em seu blog n’O Globo, disse que “passou meio despercebido” que o general de Exército Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira tenha ido “dar uma força ao ex-faz-tudo de Jair Bolsonaro”; que tenha ido visitar o tenente-coronel Mauro Cid na prisão. De fato, “passou meio despercebido” que o general Estevam Theophilo esteja entre as 73 pessoas que visitaram Mauro Cid no cárcere, mas não para este Come Ananás. Dois dias antes do post de Lauro Jardim, na terça-feira, 11, Come Ananás notava que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro recebeu na prisão pelo menos 11 generais do Exército Brasileiro, oito da reserva e três da ativa, e que entre os três da ativa “consta na lista o nome do general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira. Trata-se do atual chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército”. Mauro Cid está preso desde o dia 3 de maio no 1º Batalhão de Ações e Comandos do Exército, em Brasília. Os 73 visitantes que constam na lista foram ter com Cid nos seus primeiros 19 dias de xadrez especial, ou seja, entre 3 e 21 de maio. Não veio a público em que dia exato, neste intervalo, o general Estevam Theophilo visitou Mauro Cid, nem se foi uma visita só. O que segue passando em brancas nuvens na imprensa é que, além de comandar o órgão de direção operacional do Exército Brasileiro e de integrar o alto comando da Força, este ilustre visitante de Mauro Cid acaba de exercer interinamente, durante uma semana, na primeira semana de julho, o próprio comando do Exército, durante uma visita oficial do titular do posto, general Tomás Ribeiro Paiva, ao Exército da Alemanha. Com a palavra, o general Tomás Paiva e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, para dizerem umas palavras sobre se cabe a um general da ativa, do alto comando e apto a comandar o Exército visitar na prisão um colega de farda que conspirou para um golpe de Estado; sobre se o general Estevam Theophilo já foi ou será chamado às falas para explicar o motivo da visita; se foi mesmo “dar uma força ao ex-faz-tudo de Jair Bolsonaro”, como disse Lauro Jardim, ou se foi fazer coisa ainda pior. O atual comandante do Exército, porém, é o general para quem “é uma coisa burra” tentar fazer a caserna prestar contas ao poder civil, e o atual ministro da Defesa é aquele para quem concentração golpista na frente de quartéis pedindo intervenção militar “é uma manifestação da democracia”. Com a palavra, então, o presidente Lula         Matéria publicada originalmente no link abaixo do Come Ananás https://comeananas.news/visitou-mauro-cid-na-prisao-e-foi-comandar-interinamente-o-exercito-brasileiro/

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