Construir Resistência

Um olhar… para além do enquadrado

Por Giorge de Santi  (Fotos) e  Agostinha Oliveira (texto)

Através desses pés, com profundas feridas, calejados, disformes, marcados pelos caminhos, pela vida.

Suas histórias.

Um contato com o individuo descartado da sociedade, que nesse lugar “democrático” chamado #Cracolândia, chão do sem chão, se sente acolhido.

Uma reflexão sobre o Ser Humano que compõe essa tribo “de Refugiados Urbanos” contrapondo o paradigma “Droga e Drogados”; sua nuance e estereótipos.

A enfermeira e o fotógrafo: olhares que cuidam e combatem a invisibilidade

Trabalhando no período de setembro de 2010 a dezembro 2019 como enfermeira, junto as #pessoasemsituaçãoderua, transitando pelos inúmeros nichos da região central de #SãoPaulo sendo nos últimos tempos na região da Luz, lugar intitulado Cracolândia.

A cada dia, a cada escuta, a cada vínculo estabelecido, se faz presente a indagação e gera grande inquietude, baseadas nas histórias de vida desses sujeitos , que neste espaço chegam “pelos próprios pés” de diversos lugares, de diversos saberes, de rupturas e descartes dos vínculos familiares e sociais, e encontram um acolhimento dentro da exclusão

Nessa vivência, a percepção dentro de diferentes contextos, tanto na vida profissional, nas relações pessoais, na exploração da mídia, pela representação social, o olhar é veemente para “droga e o drogado”, onde estereótipos e preconceitos são estabelecidos, dando invisibilidade, anulando e enquadrando esse sujeito, suas especificidades, sua própria vida.

A partir dessas questões , desse incomodo, busco através dos pés, em sua diversidade, a compreensão, aproximação e o olhar com e sobre esses sujeitos que compõe essa dinâmica social. Pés são esses que carregam suas historias, maneiras de (sobre) viver e conviver, seus corpos, suas marcas, dores, alegrias; pés que possibilitam enxergar a integralidade do ser.

Assim…

Suscitar reflexão e discussão através das imagens dos pés, suas histórias, do contexto do Ser, para além do consumo do crack. Mostrar que no caos há espaço para o belo, para o acolhimento, para o olhar, para habilidades, solidariedade e afeto. A existência de pessoas vivas e reais.

Dedicado às pessoas, sensíveis, abertas para (DES)construções em relação aos dogmas criados sobre esses seres que pedem

por um olhar, para além do que foram enquadrados.

 

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