Sobre dar a mão e passar a mão na cabeça

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Por Adriana do Amaral

As mulheres sempre serão vidraças até conquistarmos a equidade de gênero

As mulheres dominaram a mídia e as redes sociais nos últimos dias. Personalidades ou não, impressiona como as falas femininas ainda carregam preconceitos! Também, sinalizam o quanto precisamos dialogar, aprender e evoluir na construção de uma sociedade mais igualitária e justa.

A polêmica atual envolve três mulheres: as médicas Nise Yamaguchi e Luana Araújo, pela repercussão dos respectivos depoimentos na #CPIdaCovid, e a atriz Juliana Paz. A personalidade gravou um vídeo onde critica a postura, segundo ela agressiva, dos senadores contra a Nise.  Ao mesmo tempo, mulheres vinculadas a movimentos da política de direita e centro questionaram o por quê de as femininas não estenderem a mão para ela enquanto Luana virou a personalidade da vez.

Vamos analisar por partes:

Luana Araújo nunca se colocou como a nova musa da esquerda. Pelo contrário, quase colaborou com o atual governo e, no passado, publicou em suas mídias sociais, críticas à ex-presidenta Dilma Roussef. Ela, contudo, mostrou a que veio. Como profissional e também pessoalmente em suas atitudes recentes.

A médica havia aceitado o convite para compor com o governo na expectativa de somar ao combate à #pandemia da #Covid-19, com ações baseadas na medicina e na ciência. Na época foi alvo de críticas até que o nome dela foi vetado exatamente por não defender as bandeiras da cloroquina, ivermectiva e tratamento precoce. Na CPI ela mostrou lógica, sensatez e sobretudo inteligência e elegância.

Nise Yamaguchi, por outro lado, parece ter se esquecido do Juramento de Hipócrates. Mentiu, omitiu, confundiu. Foi dela a iniciativa de participar do atual governo, colocando-se à disposição, quando se fartou com a exposição midiática e na defesa de tratamentos que não existem e medicamentos ineficazes. Na CPI ela poderia ter voltado atrás, mostrado que estava enganada diante dos estudos científicos mais atuais, repensado posturas passadas, mas não o fez. Continuou o discurso frágil.

Nesse imbróglio, Juliana Paz manifestou-se pedindo sororidade (para quem não conhece a palavra ela define empatia e solidariedade entre as mulheres). Justo ela que não se privou de criticar a ex-presidente Dilma, inclusive somando nas ruas o coro dos que pediam o impeachment.  Ou seja, quando é conveniente o discurso tem lado…

Outra atriz, conhecida pelo seu engajamento político, Letícia Sabatela, colocou-se a disposição da colega para dialogar, explicar a realidade brasileira atual e alguns conceitos  que Juliana parece não entender. Confusa, ela escreveu estar “desamparada” e “Eu não apoio os ideais arrogantes de extrema=direita. Eu não apoio delírios comunistas de esquerda-direita.”.

Nesse caos, haja dialógica

Como mulher, tento aprender com o passar dos anos e evolução dos tempos. Menina, nos anos 1960 tudo era muito diferente. Cresci com as minhas irmãs mais velhas abrindo os caminhos domésticos, mas sempre me rebelei ao tradicional. Minha geração nasceu liberta, pudemos estudar, usar anticoncepcional, morar fora. Depois, criei meus filhos, um casal, para se respeitarem, tolerarem e se ajudarem em suas diferenças.

Nem sempre foi fácil. Novas terminologias chegaram diariamente para nos desafiar. Novas condutas sociais a nos cobrar.

Se na década de 1980 a cantora Joyce cantava: ó mãe, o que é ser feminina? Hoje aprendemos diariamente o que é ser feminista. Uma tarefa para se praticar.

Para quem pouco sabe a respeito e gostaria de conhecer o universo, sem ter de aprofundar em literatura, recomendo o livro Por Que Lutamos?, de #ManuelaD’Avilla. Um diálogo que mostra que o feminismo se aprende no dia a dia. Inclusive respeitando, mas não tolerando, as atitudes machistas.

Conviver com mulheres bolsominions é um desafio. Eu mesmo tenho várias delas – favoritas- ao meu redor. De algumas eu desisti, com outras capricho no diálogo. Afinal, nem todas estamos vivendo o mesmo grau de consciência e todas podemos nos ajudar mutuamente.

Só não tolero mulheres antifeministas. Nem homem misóginos.

 

 

 

 

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