Construir Resistência
Foto|: Ricardo Stuckert

Se eu fosse Lira, declarava amor a Lula!

Por Alfredo Herkenhoff
Foto: Ricardo Stuckert
O Brasil está prestes a ver, depois de Moro saindo da magistratura pra virar ministro, e Deltan saindo do MP pra virar candidato, prestes a ver uma pequena penca de desembargadores pedindo aposentadoria precoce pra não virarem réus e, possivelmente, presidiários. A Oitava Turma em POA está mais nervosa do que Gabriela Hardt e os membros dispersados da Força Tarefa.
Artur Lira obteve uma vitória espetacular hoje, no STF, por unanimidade, arquivando um processo terrível contra o presidente da Câmara. Mas o chefe do orçamento secreto na triste era Bolsonaro que não se iluda: Recebeu só um sinalzinho de boa vontade.
Do mesmo modo, aquele senador nordestino, que no começo da CPI da Covid ameaçava desembarcar do negacionismo bolsonarista antivacina, mas desistiu e largou aquele inquérito parlamentar para se tornar chefe da Casa Civil e dividir com Lira a chefia do orçamento secreto, está também na beirola da caçapa da sinuca bola sete. Se ficar pianinho, retroceder, Girão vai ganhar também um sinalzinho de boa vontade do Supremo.
O Poder Executivo liberou, horas atrás, quase 2 bilhões de reais aos congressistas para conter a fúria de Lira acossado pelos escândalos dos seus assessores na roubalheira do orçamento secreto. Mas a grana que o governo liberou, e liberou às pressas, não tem nada a ver com replay de orçamento secreto. Aliás, esquema tornado ilegal pelo STF. A grana de quase 2 bilhões foi liberada com sabedoria. Contemplou exclusivamente emendas impositivas. O que Lula fez foi apenas acelerar o sistema burocrático ao redor do Centrão. As impositivas são legais. Lula apenas as apressou.
Lira está quase em pânico. Se insistir em manobrar a extrema direita bolsonarista para tumultuar o segundo semeste do governo Lula, seu destino, provavelmente, será triste, com processos novos, velhos reabertos, amplo direito de defesa, respeito ao contraditório, e cassaação e, enfim, cadeia ao fim.
E Artur Lira ainda tem uma ex-mulher que continua disposta a falar.
Detalhe fundamental: Lira e a extrema direita bolsonarista não têm mais volume na guerra das narrativas.
Provavelmente Lira vai ficar mais bacana nos próximos meses e evitar o pior para o Brasil e para ele mesmo.
Se eu fosse Lira, eu declarava amor a Lula e distância de Valdemar e Bolsonaro!

Alfredo Herkenhoff é jornalista, escritor, autor do livro Jornal do Brasil – Memórias de um Secretário

Compartilhar:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Matérias Relacionadas

Rolar para cima