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Rolos do governo: seis personagens à procura de um pixulé*

Por Sonia Castro Lopes

Elegeu-se contando mentiras. Prometeu acabar com a corrupção e desfazer os  malfeitos realizados por governos anteriores. Arranjou dois bons cabos eleitorais para atrair a classe média e o empresariado. Um deles, defenestrado do ministério no ano passado, vive no exterior, desmoralizado após ter suas sentenças contra o ex-presidente Lula anuladas pelo STF. O outro se agarra ao poder sem conseguir realizar as ‘maravilhas’ que garantiu aos ‘clientes’. Aos poucos, com pesar, rescindiu com alguns aliados ideológicos e contraiu núpcias com os políticos do Centrão, sempre ávidos por cargos e vantagens. Está custando caro esse casamento!

Na semana passada, mais uma vez viu-se obrigado a desfazer-se de um  ‘malvado favorito’, no caso o antiministro do meio ambiente que estava mais pra lá do que pra cá, envolvido em casos de corrupção com madeireiras. Isso porque no mesmo dia (23/6) veio à tona o ‘covaxingate’ que levou o ministro Ônix Lorenzoni a fazer aquele papel de ator de quinta ameaçando processar os irmãos Miranda por denunciarem contratos irregulares entre empresas intermediadoras de vacinas com o Ministério da Saúde.

Após o depoimento dos irmãos na CPI da Covid o governo sentiu o tranco. Imediatamente surgiram versões para o fato, cada qual mais estapafúrdia. Não houve pagamento, como afirmam insistentemente, mas houve empenho de recursos e isso configura crime, até porque avisado dos ‘rolos’ de seu líder na Câmara, Ricardo Barros, o presidente não tomou qualquer providência, fazendo-a somente agora por orientação da Controladoria Geral da União (CGU). Para quem se dizia o ‘manda-chuva’ sempre obedecido por seus asseclas, cometeu, no mínimo, o crime de prevaricação…

Mas os rolos não terminam por aqui. Ontem (29) surgiram mais denúncias. Um funcionário do ministério, Roberto Ferreira Dias, teria sugerido o acréscimo de U$ 1 por dose da vacina Astrazênica para fechar negócio entre o governo e a empresa de medicamentos Davati Medical Supply, sediada nos Estados Unidos. Soube-se, ontem à noite, que o funcionário seria exonerado do cargo de diretor do Departamento de Logística com ato publicado no Diário Oficial de hoje (30). Mas, além deste servidor civil há fardados envolvidos nesses rolos. Sim, militares de altas patentes que se arvoraram em apoiadores de primeira hora do presidente e hoje se locupletam com gratificações que, somadas ao soldo, lhes garantem altos rendimentos e uma fidelidade extrema ao capitão. A seguir,  alguns nomes que compõem o elenco das falcatruas em que se meteu o governo.

Ricardo Barros-deputado federal (PP-PR), ex-companheiro de partido de Bolsonaro e atual líder do governo na Câmara. Foi ministro da saúde no governo Temer quando protagonizou um escândalo com a compra de medicamentos intermediados pela Global Saúde no valor de R$20 milhões e que nunca foram entregues. Está sendo acusado de defender os interesses da Precisa Medicamentos, intermediária do laboratório indiano Bharat Biotech, produtor da vacina Covaxin.

Francisco Maximiano (Max) – Inserido nos meandros do atual governo pelo senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) é presidente da Global Saúde e sócio da Precisa Medicamentos. Será alvo da CPI pela intermediação na compra da Covaxin, além de fechar contrato com o governo para fornecer kits de testes para detecção da Covid-19.

Alex Lial Marinho – Tenente-coronel, ex-coordenador geral de Logística e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde na gestão Pazuello e superior de Luis Ricardo Miranda a quem teria pressionado para autorizar a importação da Covaxin.

Marcelo Bento PiresCoronel lotado na Coordenação do Plano Nacional de Operacionalização das Vacinas contra Covid-19 do MS também foi acusado de pressionar o servidor pela aprovação da vacina indiana. Segundo informações da imprensa, só permaneceu três meses no cargo e ao perder a ‘boquinha’ anda em busca de emprego nas redes sociais.

Elcio Franco – Coronel do exército, assessor do ministro Eduardo Pazuello a quem coube verificar, a mando deste, se as acusações dos irmãos Miranda eram procedentes. Segundo ele, após investigar, nada encontrou que pudesse comprovar as irregularidades.

Roberto Ferreira Dias– Diretor de Logística do Ministério da Saúde foi acusado pelo diretor da empresa Daviti Medical Supply de solicitar o acrécimo de U$ 1 em cada dose da vacina astrazênica para fechar contrato com o Ministério da Saúde. Acabou de ser exonerado pelo atual ministro Marcelo Queiroga.

Com certeza, há muito mais implicados nesse mar de lama. Estes já tiveram seus nomes expostos pela grande imprensa, mas é só puxar o fio da meada que outros surgirão. Questão de tempo.

A seu favor, o presidente alega desconhecer o que acontece em seus ministérios. Sobre a denúncia de irregularidades contratuais, confirma que transferiu a responsabilidade para o ex-ministro Eduardo Pazuello. Este declara ter repassado a função ao assessor Elcio Franco e por aí vai…

Como se costuma dizer, filho feio não tem pai. Caberá à CPI juntar as peças desse quebra-cabeça e dar uma resposta à população, maior vítima da ganância e descalabros cometidos pelo pior governante que já se aboletou na cadeira presidencial.

#forabolsonaro         #vacinaparatodos       #3Jnasruas

 

Notas da autora

*Faz-se aqui uma alusão irônica à peça de Luigi Pirandello (1867-1936) Seis personagens à procura de um autor, escrita em 1921.

Legenda da foto: Deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara e um dos principais envolvidos no ‘covaxingate’.

Crédito da foto: g1 globo.com

 

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