Construir Resistência
Sonia Castro Lopes

Rápidas sobre Educação

Por Sonia Castro Lopes

Mães bolsonaristas exigem revisão dos conteúdos nos livros didáticos

Responsáveis por estudantes que representam interesses do agronegócio foram até o MEC na semana passada para discutir com o ministro da educação (?), Milton Ribeiro, sobre a possibilidade de alterar conteúdos de livros didáticos que difundem ‘ideologia equivocada’ sobre o setor. Os livros em questão fazem críticas às políticas de meio ambiente,  além de denunciarem trabalho escravo na agricultura e a utilização de agrotóxicos. Essas críticas vão de encontro ao lucro dos agropecuaristas e por isso as extremosas mãezinhas se abalaram até o ministério para convencer o senhor ministro a rever tais conteúdos. Não preciso dizer que a proposta foi bem aceita e que ele marchará juntamente com a ministra da agricultura, pecuária e abastecimento Tereza Cristina da Costa Dias para que tal reivindicação seja acolhida. A deputada bolsonarista Bia Kiics também esteve presente ao encontro e quer que as idéias propostas pelas mães dos alunos sejam discutidas nas Comissões de Educação e da Agricultura na Câmara Federal. Escola sem partido para os outros…

Homeschooling é o cacete!

Um dos temas prioritários do governo Bolsonaro, além da inauguração de centenas de escolas cívico-militares Brasil afora, é a insistência na regulamentação do ensino domiciliar que os entusiastas da ideia costumam denominar homeschooling, já que são vassalos fieis da modalidade de ensino que faz sucesso nos EUA, especialmente entre os apoiadores de Trump. Apesar das críticas recebidas por especialistas e acadêmicos, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, sancionou a lei que permite a oferta desse ensino no estado. Pelo documento, pais ou responsáveis tecnicamente qualificados poderão assumir o ensino de seus filhos ou contratar profissionais que o façam, desde que sigam os parâmetros da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), instrumento a qual já nos referimos aqui como um modelo de currículo totalmente acrítico e que privilegia disciplinas consideradas “nobres” em detrimento de outras secundarizadas exatamente porque suscitam e estimulam a capacidade crítica dos estudantes, tais como história, filosofia ou sociologia. Os estudantes serão avaliados pelas secretarias de educação dos municípios em que residem. Essa prática educativa ainda não sofreu regulamentação no país, apesar de  sua constitucionalidade não ter sido contestada pelo STF.

ENEM 2021 será outro “sucesso”?

O ENEM 2021, cuja realização está marcada para os dias 21 e 28 de novembro próximos, já conta com baixas consideráveis. Dois coordenadores do INEP – Helio Rocha Moraes, Coordenador Geral de Logística e Eduardo Carvalho Sousa, Coordenador dos Exames para Certificação – pediram exoneração de seus cargos deixando na mão o ministro (?) Milton Ribeiro que, apesar do fracasso da última prova, declarou-se satisfeito com o “sucesso” da empreitada. Ambos são responsáveis por setores importantíssimos para a realização do evento, que incluem a distribuição dos  candidatos pelos locais de aplicação e a própria elaboração das provas. Divergências com o presidente do INEP, Danilo Dupas, motivaram o pedido de exoneração desses servidores. O pior é que essas baixas afetam não apenas o ENEM, mas também outros instrumentos de avaliação de competência do Ministério como o ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) e o SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) que podem ficar comprometidos.

ATUALIZANDO: Ao longo do dia de hoje (8/11) 31 funcionários pediram demissão de suas funções do INEP. Os servidores, quase todos experientes na elaboração e logística do ENEM,  justificaram sua saída pela “fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima do órgão.”  Faltam apenas 13 dias para o início do exame e essa crise ilustra exemplarmente os descaminhos desse governo na área educacional, como aliás, em todos os outros setores. Nunca a Lei de Murphy foi tão lembrada: “Nada é tão ruim que não possa piorar.”

 

Cientistas protestam contra a perseguição a colegas no caso da Medalha da Ordem Nacional do Mérito Científico

38 professores eméritos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) solidarizaram-se no último domingo (7) com os dois cientistas que tiveram seus nomes excluídos para o recebimento da Ordem Nacional do Mérito Científico concedida pelo Presidente da República que (cúmulo das barbaridades!) se autocondecorou com a medalha. Os cientistas Adele Benzaken e Marcus Vinicius Lacerda foram impedidos de receber a homenagem por perseguição política através de decreto presidencial datado de 5 de novembro último. A ação dos docentes da UFRJ veio se somar à carta aberta à comunidade científica e ao público em geral por parte de 21 pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz que já haviam se pronunciado contra a medida expressando indignação e repúdio pela exclusão dos colegas. Não pode haver ingerência política na decisão de condecorar cientistas, uma vez que a escolha dos nomes é de competência de uma Comissão de Associados do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência)e da ABC (Academia Brasileira de Ciências).

 

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