Construir Resistência
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Que tal esquecer o genocida Bolsonaro?

Por Simão Zygband

Ainda estou me acostumando com a maneira de existir nisso que se convencionou chamar de modernidade. Sobretudo na minha área específica, a Comunicação.

Sou um jornalista experiente (para não dizer velho, pois desqualifica), com mais de 40 anos de profissão, que procura engatinhar pelos novos formatos da mídia. O site Construir Resistência, que edito e que criei junto com duas diletas parceiras, é o meu laboratório diário. Em pouco mais de dois anos (nasceu em 8 de março de 2021, propositadamente no Dia das Mulheres), atingiu a marca de 1 milhão e 17 mil leitores (aferidos hoje pela manhã em um medidor de visualizações chamado Google Analytics). Cerca de 1.300 acessos/dia, bastante razoável ante o tamanho reduzido do projeto.

Ele não me dá dinheiro algum. Criei-o para juntar em um veículo diferenciado, todos aqueles que iriam literalmente construir a resistência contra o fascismo. Seguimos mais ou menos o pensamento do presidente Lula, parafraseando o filósofo e educador Paulo Freire, a quem nos dedicamos a ajudar a eleger e o motivo maior da nossa união, de unir os divergentes para derrotar os antagônicos. Demos a nossa modesta contribuição e os números de leitores do site refletem o acerto no direcionamento político e na abordagem editorial.

Mas o Construir Resistência, este laboratório de Comunicação, que tenta me ensinar na prática o que mudou na minha área depois de tantos anos de estrada (trabalhei em jornais, TVs, rádios, assessorias de imprensa e tantos outros modais), ainda utiliza técnicas que aprendi no finado jornal Notícias Populares de São Paulo, onde fui repórter por 4 anos: fazer manchetes chamativas, que aticem a curiosidade do leitor. Isso explica em parte o “sucesso” nos acessos ao site. Mas este também é um recurso antigo.

Agora me bato diariamente com as novas mídias. Tento entendê-las, até por uma questão de sobrevivência. Não consegui ainda me aposentar, pois não tenho os chamados 35 anos de contribuição. Duro de tê-los. O Construir Resistência também nasceu pela necessidade de sobrevivência. Tive que me repaginar, como dizem de boca cheia os neoliberais, como se esta mudança fosse a coisa mais fácil do mundo, realizada em um estalar de dedos.

Analiso, por exemplo, como foi a eleição do genocida Jair Bolsonaro. Um sujeito eleito por utilizar com certa sabedoria estas novas mídias. E o pior, com discurso “avesso do avesso”. Este é o mais difícil de entender, na minha opinião. O clã utilizou quando o elegeu presidente os préstimos do gênio do mal da internet, o norte-americano Steve Bennon, um perigoso extremista de direita, que conhece como poucos as maneiras de manipular as mentes através de disparos de whatszapp e afins. Não vou mentir que usei um pouco desta técnica para formar o mailing da centro-esquerda, reunindo todos os contatos que acumulei durante anos de jornalismo e de militância política. Um pouco do “sucesso” do Construir Resistência se deve a isso. Como brinco com meus amigos, o site é um “sucesso de público e um fracasso de renda” (sic).

Leio no portal Metrópoles uma matéria de hoje (16) que me chamou a atenção, com a seguinte manchete: “Bolsonaro perde seguidores, mas segue à frente de Lula nas redes”. O levantamento da agência Ativa Web, especializada em marketing digital, que considerou os perfis do atual e do ex-presidente, no Facebook, no período de fevereiro e março deste ano, constatou que Bozo teve 326,4 mil curtidas contra 104,4 mil do petista. A chamada taxa de engajamento é de 1,33% contra 0,84%.

Ou seja, alguma coisa está fora da ordem, como cantou o poeta Caetano Veloso. Reconheço que ainda a chamada centro-esquerda engatinha, como eu, nas técnicas e táticas do mundo virtual. Afirmo, sem medo de errar que Lula só se elegeu, com reduzida margem de vantagem, por que seu discurso analógico atingiu sobretudo a maioria do Nordeste e as classes C,D e E nas periferias das grandes e médias cidades brasileiras. A classe trabalhadora em peso optou por Lula, pois seu discurso os convenceu.

Mas onde a mídia analógica não chegou com tanta potência, houve a vitória de Bolsonaro: entre as classes médias e altas das mesmas médias e grandes cidades e em todos os estados do Sul e Centro-Oeste do país, mais sensíveis aos estragos realizados pela mídia virtual. Nas pequenas cidades do Interior do Sudeste, Centro-Oeste e Sul, o bolsonarismo também entrou forte pelas redes, isso sem contar, evidentemente, com o derrame de recursos do chamado Orçamento Secreto. Por 2 milhões de votos de diferença, Bolsonaro não conseguiu se reeleger (pois tinha perdido por 6 milhões no primeiro turno). Mesmo assim tirou uma diferença de 4 milhões de votos.

Passou da hora do governo Lula ter um olhar mais atento para as redes sociais. Não basta fazer tic toc engraçadinhos ou memes supostamente “geniais” contra o genocida. Só a ridicularização do inimigo já demonstrou que não funciona, inclusive nas eleições presidenciais. É preciso construir a rede. Assim como fez no microuniverso o Construir Resistência.

Bolsonaro está toda hora na mídia, pelo bem ou pelo mal. Muitas vezes, inclusive, nas principais manchetes. É pelo genocídio dos Yanomamis, pelo contrabando de joias, pela perda de vacinas e medicamentos etc. Todo dia tem uma novidade. Ele já aprendeu (e nós não) que se deve usar aquele velho ditado no mundo virtual: falem mal, mas falem de mim.

É necessário fazer o chamado “apagamento” (não no jargão deles, óbvio, que é cancelamento de CPF) do Bolsonaro. Esquecer que ele existe. E utilizar as mesmas armas. Só assim vamos nos livrar dele.

 

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Em tempo: A arte acima é do artista Sergio Papi 

 

 

 

 

 

 

 

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