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caetano

Que orgulho de você, Caetano!

Por Sonia Castro Lopes

Entre assistir ao show de Caetano e ao debate dos candidatos ao governo do Rio não hesitei. E tenho certeza de que fiz a melhor escolha. Na verdade, devo confessar que preciso de um detox político por não aguentar mais tanta baixaria. Cada vez que topo com um bolsominion perco o juízo e, impulsiva como sou, chego a temer pelas consequências dos meus atos.

Mas ontem (7) foi dia de paz, dia de caetanear. Nosso baiano querido chega aos oitenta de forma delicada e generosa, presenteando seus fãs com talento e carisma inigualáveis. Assistindo ao show me pus a refletir como a vida tem sido magnânima com a minha geração que presenciou o início da carreira desse gênio, pôde vê-lo no auge da maturidade artística e, de quebra, comemorar sua idade avançada, porém plena de força como a “luz do sol que a folha traga e traduz”. O show foi simples e lindo com Caê junto aos filhos (Moreno, Zeca e Tom) e sua irmã Maria Betânia. Foram momentos transbordantes de lembranças, amor e carinho.

Lembro que ao conhecer Caetano, “chamei de mau gosto o que vi (pois) Narciso acha feio o que não é espelho.”  Sim, eu ainda não era mutante e meu senso estético colonizado estranhou aquela figura que contrastava com o preferido das moçoilas da época, o galã dos olhos cor de ardósia, Chico Buarque. Bobagem, pois ambos são lindos, “mais que demais, vocês são lindos, sim,” em qualquer idade.

Caetano, você é lindo, elegante, criativo, irreverente, arrebatador!

Caetano Veloso e Maria Betânia ainda ostentam vozes firmes, cabeças abertas e belos cabelos prateados. Os filhos, herdeiros de seu talento, são doces e apaixonados pela figura paterna. Houve um momento em que Caetano dedicou uma composição sua, aliás belíssima, à mãe de Moreno, Andrea Gadelha (Dedé), sua primeira mulher.  E, num ato de coragem, estendeu a homenagem a Paulinha (Lavigne) e a todas as mulheres e “caras” que haviam passado pela sua vida, ainda que de forma fugaz. Ao ouvir tal declaração, Moreno deu uma risada e balançou a cabeça como se pensasse: Esse meu velho é demais!

Obrigada, Caetano, por nos fazer esquecer mesmo por alguns instantes todo o sofrimento por que passa o país. Obrigada pela esperança renovada, pela lição de amor e generosidade. Obrigada por nos mostrar que a vida pode ser leve e que preconceito e falta de humanidade também matam ou, no mínimo, nos impedem de voar.

O Brasil te ama e sente um orgulho imenso de você!

 

Ouçam e assistam VOCÊ É LINDX !

https://www.youtube.com/watch?v=7QWzShM3fbo

 

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