Quanto ódio cabe numa postagem?

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Por Adriana do Amaral

A Ira dos Excludentes

Estupefata, li nas mídias sociais da ex-deputada federal, candidata à vice-presidência e prefeitura de Porto Alegre #ManuelaDÁvilla, que a filha, Laura, de apenas cinco anos, sofreu ameaças via web. É claro, a criança não leu as mensagens, mas Manu, seu companheiro Duca Leindecker, cantor e compositor e pai de Laura, e o irmão Gui, enteado de Manuela, sofreram na alma a dor diante à gravidade do fato.

A intenção é clara: inibir Manu a continuar a sua vida política. Nas mensagens, a ameaça de estupro contra uma vulnerável. E o mais estarrecedor: o estopim foi a atitude de um homem, pai de um colega de escola, que registrou uma foto de Laura em pleno ambiente escolar e a divulgou em grupos de mensageiros do ódio que assolam o Brasil.

Manu registrou Boletim de Ocorrência e a polícia especializada está investigando. Depois, informou sobre as ameaças em suas mídias, denunciando e ao mesmo tempo desabafando:

O último mês foi muito agressivo e me impactou muitíssimo. um pai da escola de Laura (cuja identidade conhecemos o que torna tudo ainda mais cruel) tirou uma fotografia de Laura e a entregou para os grupos que distribuem ódio nas redes. A partir disso, todo o submundo da internet passou a usar a imagem dela para nos agredir. São muitos anos de violência. Como vocês sabem, quando Laura ainda era um bebê de colo, foi agredida fisicamente em função de uma mentira distribuída amplamente na internet. De lá pra cá, muitas coisas aconteceram. Mas nenhuma jamais havia envolvido sua escola e algum pai de colega. Foi devastador lidar com isso. Ver a imagem sendo usada por toda essa gentalha que vive as nossas custas, diz que é político e só faz o mal foi uma violência imensa. Poucos dias depois chegaram as ameaças de estupro para ela (que tem cinco anos!!!) e nova ameaça de morte para mim. A Polícia já acompanha o caso. O que é evidente que não diminui o medo, a tristeza, a culpa por ver as pessoas que mais amo submetidas a essa gente inescrupulosa. São anos vivendo assim. A gente mal toma ar de uma agressão e vem a próxima. Mas quando a gente respira a gente lembra que tem um mundo pra mudar. Que tem um genocida no governo. Que tem mãe enterrando filho e filho enterrando mãe. Que tem criança trabalhando. Se todos os dias tenho vontade de desistir, todos os dias me lembro das imensas razões que temos para continuar.

 

Mais do que uma política, Manuela D’Ávila é escritora, jornalista, mestre em Políticas Públicas, presidente do Instituto E Se Fosse Você, cidadã brasileira, mãe e esposa. Uma mulher que sempre se pautou na transparência tanto em relação à sua vida profissional quanto política.  Sobretudo, pioneira no estudo das fakenews no Brasil.

Manu já foi vítima de vários “atentados”, mas o crime da vez é gravíssimo. É dever do Estado identificar os internautas que ameaçaram uma menor, uma menina, um ser humano de crime sexual. Também é dever da escola penalizar esse pai de aluno e explicitar regras claras em relação à conduta que possa envolver os seus alunos.

Manuela D’Ávila é gaúcha e vive na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Uma pequena cidade grande, que convive de forma próxima com as diferenças culturais. Um local onde as distâncias geográficas são menores e se agigantam ideologicamente.

A equipe editorial de Construir Resistência solidariza-se com Manuela D’Ávila e sua família. Este crime não pode ficar impune. É dever de todos proteger Laura.

 

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