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Profissional, a ameaça golpista da extrema direita é tudo menos “Tabajara”

Por Jamil Chade no UOL

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, qualificou a ofensiva de aliados do bolsonarismo de “Operação Tabajara”, um termo repetido por políticos e outros observadores. Ele se referia ao suposto plano de grava-lo, numa denúncia revelada pelo senador Marcos do Val (Podemos/ES).

Mas, além de ser uma ofensa a um povo ancestral, dar essa conotação a um ensaio de golpe descaracteriza o risco que está envolvido.

Se o projeto específico citado pelo senador parece surreal e improvável, é necessário reconhecer que as democracias estão ameaçadas pela existência de um movimento extremamente profissional, sedutor, com muito dinheiro, plano e objetivo.

Ao longo dos últimos anos, a extrema direita descobriu como poucos o poder das redes sociais e criou uma verdadeira realidade paralela para levar milhões de pessoas a acreditar que movimentos autoritários podem dar a solução para seus desafios, que são reais.

Conforme o próprio ministro do STF admitiu, tal movimento criou “zumbis” que rezam para que extraterrestres ajudem a salvar seu mito, cantam o hino nacional para pneus, acreditam que a eleição foi roubada e até que Luiz Inácio Lula da Silva já morreu.

Mas, para isso, mergulharam em detalhados estudos sobre o impacto das redes sociais nas consciências, o poder da mentira como estratégia de poder, o uso dos votos e das estruturas da democracia para chegar ao poder. E, uma vez no poder, desmontar justamente essas estruturas.

A mobilização internacional em defesa da democracia brasileira não tem qualquer relação com a defesa de Lula. O que alemães, franceses ou americanos querem é salvar suas próprias democracias. Deixar o Brasil cair, portanto, representaria um fortalecimento da extrema direita mundial e, portanto, uma maior ameaça para seus próprios sistemas.

Chamar uma operação golpista de “Tabajara” não apenas é discriminatório contra um povo ancestral. Numa fala que poderia ser mais um meme, Moraes repete o erro dos últimos anos entre os democratas: rir do suposto amadorismo da extrema direita.

A ameaça golpista da extrema direita mundial é tudo menos “Tabajara”.

Jamil Chade é jornalista. Mora em Genebra e atua como correspondente na Europa há duas décadas. Contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta, The Guardian, El Pais e outros. É colunista do UOL

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