Por Fábio Lau

Tite se viu sem elenco.
Os jogadores que poderiam mudar o time já estavam em campo e desgastados:
Vini, Richarlison, Raphinha e depois Pedro, Rodrygo e Antony.
Muito Y e pouca bola.
Então, o que faltou?
Faltou um time titular.
Faltou um capitão.
Faltou principalmente um treinador que tivesse como maior ambição, vencer.
O nosso havia anunciado a aposentadoria.
Tite não treinou a seleção em dois ciclos para refazer seus métodos, mas para enquadrá-los nos interesses obscuros da CBF.
A Neymarmania deveria ter sido abortada em 2018 quando este velho mimado envergonhou ao pais simulando falta e negando futebol.
As crianças, mundo afora, zombaram dele.
Humilhante.
Thiago Silva, em 2014, deveria ter sido excluído por inépcia: chorou e virou de costas numa disputa de pênalti – no momento em que os atletas mais precisavam do seu capitão.
Daniel Alves não poderia jamais ter sido convocado – como ocorreu a Júlio César em 2014.
Ao assistir ao empate da burocrática Croácia, Tite se deu conta de que a única mudança que lhe restava seria a substituição de Neymar para colocar Everton Ribeiro.
Mas esta atitude exigiria personalidade e força de caráter. Ou seja: não poderia ser tomada por ele.
A seleção brasileira é um bando de atletas que jogam no exterior.
Não tem a identidade nacional, almeja vestir o uniforme não pela representação do seu povo, onde 60 milhões passam fome, mas pelo status que confere.
O país esteve por seis anos muito mal representado na política.
Não chega a ser absurdo seu reflexo no esporte mais popular do país.
A derrota, amarga, é, por outro lado, a abertura de uma sepultura gigante que precisa absorver um modelo antigo, viciado e derrotado de gerir futebol.
CBF é igual a corrupção.
E os escolhidos o são para não questionar o modelo.
O que espanta, portanto, é o susto!

Fábio Lau é jornalista, roteirista, radialista e empresário










