Construir Resistência
Marielle

Por qual motivo uma quadrilha de PMs decidiu executar Marielle Franco?

Por Simão Zygband

Aos poucos as peças do quebra-cabeça vão se encaixando. Já se sabe como agiu a quadrilha de policiais militares cariocas que tramou e assassinou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.

Ela tinha seus passos seguidos por um olheiro, o ex-bombeiro militar Maxwell Simões, conhecido como Suel, por encomenda do sargento da PM Edimilson Oliveira da Silva, conhecido como Macalé, em quem foi “dado baixa” misteriosamente  em 2021, numa avenida da zona Oeste do Rio de Janeiro.

Macalé era o elo entre os mandantes e os executores do assassinato. Claro que toda a ação tem cheiro de crime encomendado. Um grupo de PMs não iria deliberar sozinhos pelo execução de uma vereadora. Não é artigo que eles costumam manipular no seu dia a dia como policiais. Na realidade, eles foram contratados como um grupo de matadores de aluguel, uma das chagas que corrói a instituição como o tráfico de armas e drogas e outros encorpados delitos.

A cagoetagem (delação premiada) do ex-policial militar do Rio de Janeiro Élcio Queiroz de como foi tramada a execução da vereadora Marielle desvendou parte do bárbaro assassinato, exceto o mais importante: quem são os mandantes do plano de execução? Quais motivos poderiam estimular os PMs a se transformar em um grupo de extermínio e tramar a morte da parlamentar, nada corriqueiro na rotina policial?

Evidente que houveram mandantes, possivelmente pagantes, que tinham interesses em apagar o brilho da vereadora psolista. Cheira a encomenda política de tirar a parlamentar que talvez atrapalhasse planos de políticos de grupo que crescia na política carioca.

Macalé foi executado na avenida Santa Cruz, em Bangu, na zona oeste do Rio, por criminosos, que efetuaram disparos de um veículo e fugiram após o crime. “Edimilson Macalé esteve presente em todas [as campanas]. Inclusive foi através do Edimilson que trouxe… vamos dizer, esse trabalho pra eles. Essa missão pra eles foi através do Macalé, que chegou até o Ronnie”, diz a delação de Élcio Queiroz, que está preso preventivamente.

No depoimento à Polícia Federal, Queiroz revelou que o sargento da Polícia Militar reformado Ronnie Lessa, também preso preventivamente sob suspeita de envolvimento no crime, confidenciou vários acontecimentos que precederam a execução de Marielle e Anderson. Lessa é apontado por Queiroz como o responsável por ter atirado contra o carro da vereadora enquanto o delator conduzia o veículo.

Relembre o caso

Ronnie Lessa e Élcio Queiroz são dois ex-policiais militares, envolvidos com a milícia do Rio de Janeiro, que acabaram ligados à família Bolsonaro no início das investigações.

Élcio Queiroz tem foto abraçado com Jair Bolsonaro (abaixo). Segundo a revista Veja, a foto teria sido feita em 2011. Foi postada no Facebook do PM.

Ronnie Lessa morava no Vivendas da Barra, o mesmo condomínio onde Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro têm imóvel. A filha de Ronnie Lessa, inclusive, teria tido um relacionamento com Renan Bolsonaro.

No começo das investigações, o porteiro do Vivendas da Barra teria dito que partiu da casa 58, de Jair Bolsonaro, a autorização para que Élcio Queiroz entrasse no condomínio com o carro usado na execução de Marielle, no mesmo dia do crime. Embora tenha sido autorizado pela casa 58, Élcio teria ido encontrar Ronnie na casa 66.

Lessa e Bolsonaro moravam no mesmo conjunto

Outra peça chave da investigada pela morte de Marielle era o miliciano Adriano da Nóbrega, membro do Escritório do Crime. Ronnie Lessa atribuiu o assassinato da ex-vereadora ao grupo de matadores de aluguel comandado por Nóbrega.

Em fuga por conta de outro inquérito, Adriano da Nóbrega foi morto em operação da polícia da Bahia, em 2020, e o caso circulou na opinião pública como possível “queima de arquivo”.

Quando Adriano foi morto, membros do Escritório do Crime teriam ligado para “Jair” ou “presidente” ou “homem da casa de vidro”, segundo escutas feitas a pedido do Ministério Público. As escutas foram canceladas sob a justificativa de que se o interlocutor fosse mesmo Jair Bolsonaro, o MP não teria competência para o caso.

Simão Zygband é jornalista profissional desde 1979. Trabalhou em TVs, rádios e jornais de São Paulo, onde foi respectivamente pauteiro, repórter e redator. Foi funcionário das TVs Bandeirantes, SBT, Gazeta, Record e dos jornais Notícias Populares, Diário Popular, Diário do Grande ABC , Diário do Comércio, entre outros. Foi coordenador de Comunicação no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (onde editou o Jornal Unidade) e redator do jornal Plataforma do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Também fez assessoria de comunicação em campanhas eleitorais e mandatos parlamentares. Trabalhou na Comunicação de Secretaria Municipal de Transporte de São Paulo. Foi diretor da Rádio e TV Educativa do Paraná e Secretário Municipal de Comunicação da prefeitura de Jacareí, São Paulo.

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Arte do Sergio Papi

 

 

 

 

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