Construir Resistência
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Parada Necrófila

Por Sonia Castro Lopes

 

Foi um espetáculo macabro o que se assistiu neste domingo (23) na orla da cidade que já foi maravilhosa e se transformou num curral eleitoral bolsonarista. No Leblon, todas as ruas transversais à praia encontravam-se interditadas impedindo que veículos acessassem a via principal. Helicópteros, carros oficiais, policiais armados, batedores e uma multidão de motocicletas pilotadas por bolsominions integravam o cortejo que tentava mostrar à população carioca o quanto seu líder é reverenciado. Oriundos da zona oeste, terra de milicianos, seguiam sem máscara, disseminando o vírus que já matou quase meio milhão de brasileiros. Quem precisa dessa demonstração de força? Só os que têm medo e se sentem acuados.

 

A maioria dos transeuntes e banhistas foi pega de surpresa. Assistia ao show sem entender bem o que se passava. Alguns apoiadores (poucos, por sinal) acenavam com gritos e bandeiras à passagem do cortejo. Outros gritavam “fora assassino, fora genocida!” levando à loucura os apoiadores do capitão reformado. Ao contrário do que se via na época da campanha presidencial, não havia bandeiras nos prédios da orla, pois a elite que tem “horror ao PT” agora espera, conformada, a candidatura de alguém que possa representar a “terceira via” e ponha fim à “polarização ideológica que não faz bem ao país.” Durou cerca de vinte minutos a baderna bolsonarista pela praia do Leblon. Em outros bairros da zona sul consta que houve panelaços em reação àquela patuscada.

 

Após ser multado pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB-MA), por protagonizar passeios de moto e aglomerações na capital daquele estado, o capitão mobilizou seus apoiadores a fim de promover um desagravo em terras cariocas. Com a presença e anuência do governador, Cláudio Castro (PSC-RJ), um de seus mais novos aliados, Bolsonaro  desembarcou no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio,  às 9 h30 e, ao lado do ex-ministro Pazuello – o ‘general da banda’ – participou de um ato no qual se aglomeraram cerca de 10 mil pessoas, segundo estimativas da prefeitura.

 

Sequer são originais esses fascistóides. Copiam e colam as práticas utilizadas pelo ‘Duce’ na Itália, como registra La Tribuna Illustrata de 1933 que mostra o ditador em passeios de motocicleta pelas ruas de Roma. Conhecemos o desfecho daquela aventura que causou tanto sofrimento e miséria ao povo italiano. Por aqui, quanto mais se sente ameaçado, mais o capitão promoverá essas aglomerações país afora. A ele não importa que o povo esteja desempregado, faminto, que a pandemia tenha ceifado a vida de centenas de milhares de brasileiros.  Desesperado com as últimas pesquisas de opinião, temeroso com as consequências da CPI da pandemia e com as alianças que vêm se concretizando – até FHC já declarou um possível voto a Lula – o aprendiz de Mussolini faz questão de demonstrar força e popularidade.

 

Estão sendo programadas para o próximo dia 29 manifestações e paralisações em todo o país. É preciso dar um basta aos crimes cometidos contra o povo brasileiro. A pressão virá de todos os segmentos: partidos, movimentos populares, sociais, sindicais e grupos de trabalhadores. É hora de ir para a rua, mantidos os protocolos de proteção. Sigamos juntos nessa luta pela democracia. RESISTIR é preciso!

#Fora Bolsonaro!   #Vacina no braço e comida no prato!

 

Foto: Reprodução Instagram/Facebook

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