Construir Resistência
images (23)

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e os Yanomamis

Por Simão Zygband

As crianças Yanomamis famélicas

 

Sobreviventes de Auschwitz

 

No dia 27 de janeiro do ano passado, escrevi um texto para o Construir Resistência sobre o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Foi neste dia, no ano de 1945, que o mundo descobriu as atrocidades do nazismo.

A insanidade de uma liderança como Adolf Hitler levou à eliminação de 6 milhões de judeus, 20 milhões de soviéticos e outros milhões de ciganos, homossexuais, comunistas, opositores do regime, artistas, entre outros. Todos aqueles que os nazistas, que se consideravam uma raça superior, supunham diferentes.

A luta contra o nazismo e o fascismo é diária. Não pode ser esquecida e deve ser sempre realizada. Para que também não se repita.

Mas o nazifascismo prolifera novamente pelo mundo, apesar de todos os esforços, e no Brasil teve no trágico governo de Jair Bolsonaro seu mais cruel representante nos últimos anos, equiparado somente ao dos governos militares.

O presidente Lula, imediatamente após a sua posse, visitou a aldeia Yanomami em Roraima, levando uma delegação de ministros, parlamentares, médicos, enfermeiros, entre outros.

A impressão que se teve com os Yanomamis, abandonados à própria sorte pelo genocida Bolsonaro, é que se estava acessando um campo de concentração semelhante ao encontrado pelas tropas soviéticas quando libertaram Auschwitz: uma população esquelética e faminta, adoentada, tratada com cruel desprezo. Indefesos, pois até os rios que lhes dão sustento estavam contaminados pelo mercúrio utilizado pelo garimpo ilegal, liberado por decretos do governo nazista.

Apesar dos 21 pedidos de ajuda humanitária para os indígenas Yanomamis, realizados por agentes da Funai, Bolsonaro e sua ministra dos (sic) Direitos Humanos, se recusaram a proporcionar-lhes auxílio, permitindo sadicamente que morressem de inanição. Merecem ser julgados em um Tribunal semelhante ao de Nuremberg, onde foram condenados os mandantes assassinos de Hitler.

Bolsonaro, Damares e outros militares e civis envolvidos no genocídio devem ser julgados, condenados e presos pelo ato lesa humanidade. Sorte deles que no Brasil não existe a pena de morte, pois os nazistas originais foram fuzilados.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, considerou que houve “omissão da alta administração federal” na situação em que foi encontrado o povo Yanomami, em Roraima. Imagens de pessoas desnutridas, contaminadas por malária, respirando com a ajuda de máscaras de oxigênio e com as costelas à mostra chocaram o Brasil e o mundo.

Dino enviou ofício à Polícia Federal determinando que seja aberta investigação para apurar os responsáveis pelo flagelo dos indígenas.

Ele quer que seja apurada a autoria do que classificou como “crime de genocídio”, devido ao acúmulo de mortes registradas — o Ministério dos Povos Indígenas estima que, dos 30,4 mil indígenas que vivem no território indígena, ao menos 570 crianças morreram por contaminação de mercúrio, desnutrição e fome. O número oficial ainda não foi consolidado.

E ainda tem gente que defende o genocida Bolsonaro.

A luta contra o nazismo não acabou. Está aí a situação dos Yanomanis que não nos deixa mentir.

 

Nenhuma descrição de foto disponível.
A festa da libertação em Auschwitz

Compartilhar:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Matérias Relacionadas

Rolar para cima