Por Moisés Mendes

Se não aparecerem novas imagens, a imprensa terá fracassado ao não mostrar a chegada de Anderson Torres e a prisão no Brasil.
Ah, dirão, o sujeito teve proteção na chegada e sobraram apenas as cenas do embarque em Miami.
Claro que teve proteção, inclusive a corporativa. Mas a tarefa da imprensa é a de tentar romper essas barreiras, como fizeram com facilidade quando Lula foi preso.
A prisão de Torres tem valor real e simbólico inestimável para o resgate da democracia e o combate ao terrorismo.
É um policial federal da elite da PF sendo preso por ter agido em conluio com o fascismo. O Brasil merecia ver pelo menos parte da cena da prisão.
Que as cenas apareçam, e não só a da chegada à Papuda dentro de um carro com vidros pretos, ou o jornalismo terá cometido um dos seus grandes fracassos no momento em que um ex-ministro da Justiça vai para a cadeia.
Cenas de manezinhos presos nós já temos. Precisamos ver a prisão dos manezões.

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. Foi colunista e editor especial de Zero Hora. Escreve também para os jornais Extra Classe, Jornalistas pela Democracia e Brasil 247. É autor do livro de crônicas ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim)










