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O Twitter nessas eleições será terra de ninguém

Por Ari Meneghini

O livro ” Le Guide du Zizi Sexuel”, lançado na França há 21 anos, traduzido para o Brasil como “Aparelho Sexual e Cia” pela Cia das Letras. Esse foi o livro apresentado como KIT GAY por Bolsonaro na sua famosa entrevista no Jornal Nacional do dia 28 de agosto de 2018. Depois, próximo da eleição, veio a tal facada (até hoje mal explicada).

O livro é indicado para pré-adolescentes de 11 a 15 anos de idade foi traduzido para mais de 25 países com milhões de livros vendidos.

O fato criado por Bolsonaro, o Kit Gay, teve repercussão entre os evangélicos e católicos conservadores, além de aumentar o preconceito contra LGNTQI+. Junte-se a isso as tais clínicas de cura gay.

O PL 234/11 apresentado na Câmara dos Deputados defendia a cura da homossexualidade, projeto apresentado por João Campos (PSDB-GO) e apoiado por pastores deputados como Marcos Feliciano (PSC-SP) e Pastor Eurico (PSB – PE), além de outros deputados que são pastores, policiais, delegados, agronegócio, entre outros.

Fica uma questão: como um país inteiro foi ludibriado por uma fakenews? Qual o papel das mídias em esclarecer o assunto? Por que a oposição à Bolsonaro não conseguiu debelar essa e outras fakenews?

Vamos iniciar pela entrevista realizada dia 28 de agosto de 2018 no Jornal Nacional feita por Renata Vasconcelos e por Willian Bonner. Vem a pergunta: ao exibir o livro que foi apresentado como KIT GAY, por que nem a Renata nem o Willian, mesmo após a entrevista não disseram a verdade que o tal kitgay apresentado era um livro adotado em 25 países, à época com tiragem de 8 milhões? Será que a direção de jornalismo proibiu isso? Todo mundo viu o Bolsonaro chegando com o livro na mão. A produção viu quando o recebeu. A família Marinho com o jornalismo da organização já tinha feito um pump com a Lava Jato que resultou na prisão de Lula. Há duas semanas quando Lula foi absolvido pela ONU, a emissora se limitou a 5 minutos de notícia. Então havia ali um interesse em não derrubar Bolsonaro. Naquele momento bastaria um dos dois apresentadores mostrarem que se tratava apenas de um livro, assim estaria clarificada em rede nacional a farsa de Bolsonaro. Ele perderia a eleição só pela mentira deslavada.

Parece que a área de comunicação no Brasil, naquele momento, não deu nenhuma atenção ao fato, que era mais uma bravata de Bolsonaro. Mas já estava claro que a comunicação tradicional tinha perdido terreno para as plataformas, para os algoritmos.

Foi utilizando as redes, principalmente o whatsapp e o telegram que a extrema direita disseminou as fakenews, promoveu a confusão ideológica. É assim que o fascismo se espalha.

O fascismo se espalha pela repetição ininterrupta de mentiras, de distorção dos fatos que geram vários tipos de violência; o Brasil é o país que mais mata GLBTs no mundo; agora os assassinatos de indígenas, ou seja, dos povos originários dessas terras não têm mais o direito de estarem vivos.

Então como a sociedade tolera esses tipos de violência que foram aumentadas pelos discursos de ódio da extrema direita?

Todos têm responsabilidades no que está ocorrendo no país.  Não adianta se arrepender do voto, não adianta dizer que não votou no coiso, mas também não fez nada além do voto.

Teremos a repetição do KITGAY e veremos muitas outras fakenews agora que o Elon Musk comprou o Twitter e já modificou as regras. O Twitter nessas eleições será terra de ninguém.

Chegou o momento de derrotar o neofascimo no Brasil.

Ari Meneghini é historiador e especialista em transformação digital

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