Construir Resistência
Presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes

O país da desinformação

Por Simão Zygband
As redes sociais, que de alguma forma democratizaram a comunicação e ampliaram o exercício da liberdade de expressão, também são responsáveis pela proliferação de notícias nem sempre tão benéficas para o conjunto do povo brasileiro.
Não que as mídias tradicionais já não operassem com o chamado fake news ou com informações manipuladas para atender os seus interesses corporativos e políticos. Mas a facilidade de ter um computador às mãos para obtenção de informações, muitas vezes de origem duvidosa, tem trazido grandes prejuízos para o país.
Não bastasse a eleição fraudulenta do atual supremo mandatário – alçado ao posto mais importante do Brasil com a ajuda de disparos de fake news contra seus adversários, adquiridos por empresários seus aliados com recursos não contabilizados em campanha, o que se seguiu a isso foi a completa desinformação, não apenas do próprio presidente, mas desta comunidade que opera diariamente com notícias falsas.
Há quem diga que em Brasília foi constituído o que se costumou chamar de “gabinete do ódio”, um quartel general instalado dentro do próprio Palácio do Planalto, pago com dinheiro do contribuinte, para disseminar notícias que somente constroem a discórdia e a cizânia, com o objetivo de desestabilizar todos aqueles que ousem desafiar o status quo da quartelada miliciana que se instalou no poder central.
Como explicar, por exemplo, a rebeldia de parte dos brasileiros contra a vacina do Covid-19, que voltou a ceifar mais de mil cidadãos diariamente em nosso país, que se recusam a se proteger para evitar o contágio inclusive entre seus familiares?  Nada pode ser mais primitivo do que a recusa na vacinação, fato só ocorrido no começo do século passado, quando o médico sanitarista Osvaldo Cruz, convenceu o governo brasileiro de que era necessário obrigar a população se vacinar contra a varíola.
Assim, entre os dias 10 e 18 de novembro de 1904, a cidade do Rio de Janeiro foi palco de uma revolta popular contra a obrigatoriedade da vacina de varíola. Bondes foram tombados, trilhos arrancados, calçamentos destruídos ocasionado por uma massa der cerca de três mil revoltosos. Por trás do caos instalado conspirava a oposição política que utilizou a vacinação como álibi para tentar derrubar o presidente da República, Rodrigues Alves. A rebelião foi sufocada, mas deixou um saldo de 30 mortos, 945 prisões, 461 deportados e 110 feridos.
O governo revogou a obrigatoriedade da vacina (que causou a revolta), mas exigiu comprovante de vacinação para o trabalho, viagem, casamento, alistamento militar, matrícula em escolas públicas, hospedagem em hotéis etc. Praticamente obrigou a maioria dos moradores a se vacinar. Assim, em 1010, foi finalmente erradicada a varíola na cidade do Rio de Janeiro, após um forte surto da doença que dizimou mais de 6.500 pessoas.
Bem. O atual mandatário, que demonstra total incapacidade para gerir os destinos do país, também trabalha contra a vacinação de seu povo, sabe-se lá por quais motivos não confessos. É quase certa a sua incapacidade de organizar uma vacinação em massa em nível nacional, sobretudo por ter colocado como ministro da Saúde um general que não possui nenhum conhecimento sobre o que, supostamente, está ministrando.
O general ministro disse que o governo do qual ele é o principal representante na área da Saúde se compromete a vacinar a população de todos os estados “no dia D e na hora H”. Muito esclarecedor.
O Brasil não está desta vez necessitando de uma revolta contra a vacina, mas sim contra um (des)governo que desdenha e ironiza uma pandemia que já dizimou mais de 250 mil brasileiros, que mata mais de mil pessoas por dia e que já atingiu a marca de 10 milhões de infectados.
Mas, o pior mesmo é assistir, diante de tanta mortandade, pessoas que se recusam a tomar a vacina, mesmo sabendo que ela será a salvação de si mesmo e de sua família.

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