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O arquivo vivo chamado Anderson Torres

Por Simão Zygband

O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, é o que se costuma chamar, no jargão policial, de um arquivo vivo. É um elemento que sabe demais e que pode incriminar o seu ex-chefe, o genocida Jair Bolsonaro. Por isso, deve ser tratado com todo o respeito que exigem os Direitos Humanos, mas precisa ter sua vida preservada.

Chamou-me atenção, logo de saída, que Anderson Torres, um preso que cometeu crimes contra a pátria, ter sido levado, mesmo que provisoriamente, para o 4º Batalhão da Polícia Militar no Guará, em Brasília. Torres foi preso assim que desembarcou em solo brasileiro na manhã deste sábado.

O Batalhão da PM é um dos envolvidos na leniência com os terroristas bolsonaristas. Um local inseguro para levar, mesmo que em caráter provisório, preso com tantas informações sobre o fracassado golpe, e, mais que isso, detinha em sua casa a minuta de um decreto para instaurar estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A intenção do documento era reverter o resultado da eleição que definiu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República. A medida é considerada inconstitucional.

A prisão de Anderson Torres foi determinada pelo ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que também deverá decidir o local para onde ele será levado e permanecerá detido.

Torres é acusado de ter sabotado o comando da Segurança Pública do Distrito Federal durante os ataques terroristas do ultimo domingo (8/1). Ele deve responder por omissão e conivência.

Anderson realizou o exame de corpo de delito ainda no Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek. Em seguida, foi levado diretamente para o 4º Batalhão. Outro procedimento aguardado com atenção é o depoimento de Torres, que pode acontecer ainda neste sábado ou na segunda-feira (16/1). No entanto, ele tem o direito de permanecer calado.

A  decretação de Estado de Defesa no TSE para mudar o resultado da eleição, é a primeira prova de que o governo de Jair Bolsonaro cogitou dar um golpe e complica a situação do ex-presidente.

Por este motivo, deve ser preservado a todo custo. Seria recomendável colocar nele inclusive um colete a prova de balas. Não é segredo para ninguém o envolvimento do clã Bolsonaro com as milícias. Muitas testemunhas que poderiam prejudicar o ex-presidente não estão mais aqui para contar a história.

Com esta gente não se brinca.

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