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O agravante da mentira é impedir a vítima de corrigí-la

Por Léo Bueno 

Eis aqui o que podemos chamar de covardia consumada.

O governo é fonte de informação e atua tendo entre seus princípios legais o de Publicidade.

Tem não apenas direito, mas mesmo o DEVER de corrigir erros de informação, quando não mentiras ostentadas inclusive pela mídia corporativa.

Nós já vimos esse filme antes. Em 2009 Globos e Folhas estavam fuzilando a Petrobras com tantos factoides ambíguos ou mentirosos que a empresa acabou lançando o blog Fatos e Dados para responder diretamente à população, de maneira antecipada, a perguntas maliciosas feitas pelos ‘jornalistas’.

No meio da grita, a Petrobras recuou o procedimento. O tempo se encarregou de mostrar, no entanto, que a companhia tinha razão, inúmeras foram as notícias destinadas – e que lograram sucesso – a permitir o seu rateio e, pior, o saque do Pre-Sal. A mídia fez parte de um abismal esquema de corrupção. O contrabando de joias do Bozo é apenas um dos efeitos colaterais dessa estratégia.

Eu próprio já tive que fazer, em defesa do Poder Público, procedimento similar, e foi bem antes. Tantos eram os absurdos que os jornais diziam sobre o prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, que tivemos de lançar uma newsletter, o ‘Dito pelo não Dito’, para esclarecer as mentiras, que eram diárias e muitas. E lá se vão 21 anos.

Se tivesse o mínimo de compostura, a imprensa, incluindo as agências de fact checking, faria outrossim o que fez o New York Times após ser obrigado a admitir que seu correspondente internacional Jason Blair andava inventando notícias: um caderno inteiro reconhecendo as mentiras que ele próprio publicou, com – o mais importante – uma declaração de responsabilidade em revisar seus procedimentos jornalísticos para não mais lesar os leitores em sua função primordial, a de alcançar a informação mais próxima possível da verdade.

Em vez disso, ao praticar mimimi contra a nova agência do governo, a mídia corportativa anuncia enviesadamente que vai continuar emitindo mentiras como o apoio às farsas de Sérgio Moro – um mentiroso contumaz já reconhecido até no STF! – ou o chilique da CNN contra o ministro Paulo Pimenta por algo que ele não falou.

O fact checking do governo devia ser recebido com a alegria de quem ama publicar a verdade. Se não é, é porque esse amor não existe.

Nunca esquecer: o criminoso impedir a defesa da vítima é sempre agravante do crime.

Léo Bueno é jornalista e trabalhou na rádio Jovem Pan de São Paulo e no Diário do Grande ABC, além de sites e revistas

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