Construir Resistência
Neonazistas brasileiros com a bandeiras supremacistas ucraniana

Nunca estarei a apoiar neonazistas 

Por Andréa Oliveira

Quem golpeou meu país não foi a Rússia mas os mesmos que golpearam a Ucrânia e nada fica igual ou melhor para os povos ao se submeterem ou serem subjugados pelos governos dos EUA, Reino Unido, União Europeia e aliados da OTAN, cuja dissolução é imperativa para a paz mundial.

 

As mães já estão a perder os filhos e filhas e as crianças os pais, são alvos de etnia russa na Ucrânia que perdem a vida em um conflito armado que se estende há oito anos.

Isso mesmo, etnia russa. Nunca foi respeitado o cessar fogo do Tratado de Minsk pelo governo ucraniano, que tem presidente neto de judeu e regimento neonazista oficialmente a integrá-lo, o único caso de que tenho notícia no mundo. EUA e Ucrânia foram os únicos países a votarem contra a condenação da apologia e glorificação do nazismo na ONU anos atrás.

As mães indígenas e negras perdem seus filhos no Brasil nesse exato momento. Nesse exato momento se tem notícia de que  há 28 conflitos armados no mundo onde mães perdem seus filhos e mulheres sofrem abusos e violações e eu não vejo a mesma cobertura midiática a fomentar empatia e muito menos tratamento isonômico notadamente dos estados europeus em se tratando de refugiados.

Quem golpeou meu país não foi a Rússia mas os mesmos que golpearam a Ucrânia e nada fica igual ou melhor para os povos ao se submeterem ou serem subjugados pelos governos dos EUA, Reino Unido, União Europeia e aliados da OTAN, cuja dissolução é imperativa para a paz mundial.

Em geopolítica não há que se ter alinhamento ideológico para reconhecer que uma base militar a 60 km da fronteira russa possibilitaria que mísseis atingissem Moscou em 3 minutos, sem tempo hábil para esboçar reação.

Não se trata de Putin, mas do povo russo e seu país e nas regiões reconhecidas como independentes de ucranianos de etnia russa proibidos de usarem seu idioma no próprio país e vítimas de genocídio.

Enquanto imolam civis em sua esmagadora maioria negros e indígenas no Brasil, nos países em conflitos armados, dentre eles Ucrânia, Rússia defende seu povo. Suas demandas de há muito são legítimas, razoáveis e necessárias para a paz e estabilidade na região.

O que era uma operação militar cirúrgica com alvos militares avisados com 24 horas de antecedência para desocupação nas regiões cuja independência reconheceu e na iminência de rendição, com a finalidade e não excusa de evitar mais carnificina caso tomada pelos neonazistas russofóbicos, dando fim a um genocído que se estende há oito anos em face dos ucranianos de etnia russa em mãos do exército ucraniano e milícias neonazistas, no terceiro dia foi transformado em um conflito armado por procuração.

Isso mesmo, a guerra começou a mais de oito anos, com um conflito armado civil em solo ucraniano por parte de governo neonazista e no terceiro dia da incursão russa intervindo nesse conflito para proteger ucranianos russos de etnia russa, uma guerra por procuração por parte daqueles que, paralelamente à guerra midiática com narrativa pro-otanista, destinam fundos para a paz para envio de armamento bélico e tropas a um governo que usa civis como escudos humanos, enviam tropas mercenárias para guerrearem em território ucraniano, longe da segurança de suas famílias e povos em suas casas.

Tornou-se uma guerra armada por procuração dos que se denominam “Ocidente” contra a superpotência nuclear russa. Em solo ucraniano, colado na Rússia, enquanto eles estão bem longe na segurança de seus territórios juntos com seus povos. Quem deseja a paz não cerca e encurrala uma super potência nuclear. Quem deseja a paz envia comitiva diplomática e não alimenta conflito armado desde a segurança de suas casas, enviando armamento bélico e tropas mercenárias estrangeiras para lutarem por procuração. O direito internacional é importante demais para ser reduzido a mero instrumento por parte da ofensiva daqueles que o controlam e deviam ser sancionados em lugar de estarem a sancionar a Bielorrúsia porque em seu território se deu a aproximação bilateral entre Ucrânia e Rússia embora não sejam os únicos atores diretamente envolvidos no conflito como a narrativa midiática de propaganda de guerra pro-OTAN quer fazer parecer.

Agora temos o mundo controlado pela mídia ocidental sob influência da versão propaganda midiática de guerra pro-otanista agindo como russofóbicos neonazistas para com civis russos e cultura russa, discriminando-os, perseguindo-os. Tal como sucedeu com aqueles sob a propaganda do III Reich que demonizava os judeus. Nenhuma das mães será estadunidense, britânica, da União Européia e aliados europeus da OTAN, dos países que estão apoiando a ofensiva da guerra por procuração.

Essas mães serão ucranianas, russas e dos mercenários se as tiverem.  As mulheres, crianças, idosos a sofrerem abusos e violência direta serão ucranianas, russas, as negras e indígenas em território brasileiro, as do mundo inteiro onde estão sucedendo conflitos armados nesse exato momento e a mídia não volta os olhos e empatia para elas. É hediondo no grau máximo.

Ser contrário à guerra é ser contra alimentarem guerra por procuração e se mobilizar pelo cessar fogo e envio de missão diplomática com todos os envolvidos no conflito à mesa, sem exceção, para porem fim a ele e à carnificina; é ser pela dissolução da OTAN e retirada de suas bases militares que criam instabilidade e insegurança naquela região; é lutar por um direito internacional que seja efetivo naquilo que se propõe e não instrumento de quem deseja o controle unipolar do mundo.

A proteção dos direitos humanos deve deixar de ser discurso instrumentalizado para dominação, carnificina e exploração de seres humanos em detrimento de outros e serem efetivados. Ser contrário à guerra e favorável à paz é combater o neonazifascismo em vez de o financiar e se valer dele no seu projeto de dominação e subjugação de povos em todo o planeta. É não se abster de condenar o neonazismo, não tratar como heróis resistentes a neonazistas. É se mobilizar e ser contra todas as guerras, todos os conflitos armados que estão tendo lugar no mundo nesse exato momento, todos igualmente dolorosos, todos igualmente dignos de empatia e mobilização para terem fim.

A dor de todas as pessoas que perderam e estão a perder seus entes queridos nos 28 conflitos armados em curso no mundo, as indígenas e negras em sua maioria no Brasil, as vítimas da pandemia apagadas dos dados e as que deles subnotificados constam, as mortes por agrotóxicos sejam no Haiti e nos países em conflito armado, fruto de produtos de ajuda humanitária que ajuda aos que ajudam e matam os ajudados, seja aqui e mundo afora e por todas as demais frentes letais consequencia das guerras híbridas deveriam nos tocar a todos.

Não tem mocinhos nessa história e nem um vilão malvado como construído na narrativa de guerra do ocidente, como se fazem nominar. São todos vilões.  A dor e a empatia das pessoas não deveriam ser manipulados e teleguiados por propaganda de guerra pro-otanista e nenhum povo ou cultura deve ser discriminado para servir à guerra expansionista seja na modalidade que for de nenhum império, porque todas cobram vidas de civis inocentes e nenhuma vale nem mais e nem menos do que a dos demais, ao contrário do que crêem neonazistas.

Que Rússia desocupe Ucrânia mas que os EUA desocupem a base de Alcântara, o Reino Unido as Malvinas, liberdade para Palestina, que a OTAN desocupe todas as suas bases e seja dissolvida ou paz é um discurso vazio.

A guerra é a necessária é de outra natureza, ir na defesa do povo e de sua cultura contra o neonazismo, a discriminação, a fome, a desigualdade social. Sejamos pela paz, pela justiça que é o mesmo que ser pela estabilidade e segurança, pela soberania de todos os povos, pela extinção do mapa mundial da fome e cessar fogo dos conflitos armados com a negociação cimentando caminho para a reconciliação e para a paz. Mercadores de escravos tiveram que buscar outra ocupação, que aqueles que dependem da indústria letal, do saque e pilhagem de nações e da indústria da morte para movimentarem a economia façam o mesmo.

Não aceitemos que o mundo seja reduzido aos membros da OTAN, UE, Reino Unido, Europa. Que o mundo seja multipolar e diverso para o bem de todos e tenha lugar para os BRICS. Foram para cima de Brasil, África do Sul, Rússia. É tudo isso que está em jogo no conflito armado em território ucraniano. Vai repercutir no mundo todo para bem ou para mal e não podemos nos permitir sermos presas desses discursos maniqueístas.

A primeira coisa a se fazer é enxergar o mundo todo e a perspectiva do conflito, tratar os atores envolvidos sem chegar executando sumariamente, mas negociando e isso o governo da Rússia tem feito há muito e sendo firme com o problema, agora tem de haver pressão mundial pelo cessar fogo e negociação. Querer privar o mundo de qualquer cultura e discriminar pessoas pela origem, cor, etnia, classe social, isso é o que tem de ser combatido pela cultura da paz.

 

 

Andréa S. Oliveira é Master en Derechos Fundamentales por la Universidad Carlos III de Madrid, onde estudou Conflitos Armados e Direitos e Sistemas Internacional e Regionais de Proteção dos Direitos Humanos, período em que atuou na campanha contra a guerra do Iraque, formação, entrega de assinaturas na Embaixada da Nigéria e Ministério de Interior na Campanha Ponte em tu Piel contra a xenofobia, dentre outras atividades desenvolvidas durante as práticas no Diretório Geral da Anistia Internacional da Espanha

Participou da Capacitação em Resolução de Conflitos em Gernika Gogoratuz

Lecionou introdução à Política e ao Direito para jovens aprendizes e em oficinas de cidadania para pessoas em situação de alta vulnerabilidade social na região da Luz, em São Paulo.

Membro da ABJD e do IDDD, tendo participado de edições do projeto Educação e Cidadania no Cárcere. Vive em São Paulo, desde onde leciona espanhol

Os textos autorais não necessariamente representam a opinião do Construir Resistência

 

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