Construir Resistência
Crédito: Adriana do Amaral

Nem toda a sexta-feira é santa…

 

Por Adriana do Amaral

 

Jesus Cristo, a (quase) unanimidade do mundo

 

Sexta-feira Santa. Uma das datas mais importantes do calendário católico, depois do Natal e da Páscoa. Um dia que é celebrado por outras crenças cristãs e respeitadas pelas demais.

 

Esta sexta-feira, dois de abril do segundo ano da #pandemia, parece ter sua importância potencializada. Sexta-feira de dor e esperança, que nos move na ânsia de dias melhores. E eu eu não estou falando em paraíso, mas de viver um dia a mais, resistindo à #Covid-19 e intolerância que nos ameaça cotidianamente.

 

Eu nunca fui uma pessoa religiosa, mas sempre fui um mulher de fé. Creio na pessoa humana, no amor fraterno e na solidariedade cidadã. Mas está difícil manter a crença na raça humana, pois na medida em que celebramos a última semana da quaresma, num presente de tragédia humanitária, eu me vejo questionando a mim mesma e a todo mundo.

 

Neste dia, por tradição familiar, eu não como carne. Também, sempre fiz questão de assistir a procissão que simula o enterro de Jesus Cristo, uma das mais bonitas do calendário católico.

 

Quando criança, morando no interior de São Paulo, lembro-me da multidão de pessoas com velas nas mãos, andando vagarosamente enquanto a banda entoava uma batida triste. De quando em quando um mulher vestida de roxo e com a cabeça coberta personificava o lamento de Verônica, chorando no féretro do corpo presente. Geralmente eram dias nublados e fazia frio. Era difícil manter a chama acesa e o corpo protegido do vento do início do outono brasileiro.

 

Hoje não terá procissão. Mas conto com o Padre #JulioLancellotti celebrando a missa virtual, inspirando a mantermos a “Fé, Força e Coragem”. Também, traduzindo em palavras simples, porém sábias, as escrituras sagradas. Outra tradição, mantida, é assistir ao filme Jesus de Nazaré, de Franco Zeffirelli, que hoje vejo com outros olhos.

 

A minha relação com Jesus Cristo mudou radicalmente há um ano e meio, depois que tive o privilégio de visitar a #TerraSanta. A foto que ilustra este texto foi registrada por mim em #Belém, no #EstadodaPalestina: a #IgrejadaNatividade. Impressionou-me o contraste da simplicidade do lugar em relação à suntuosidade das igrejas em Jerusalém e demais cidades que visitei. No detalhe, o tapume que cobria o processo de restauração, lento, por falta de verbas.

 

Entrar nesse lugar santo é viajar no tempo. A portinhola de acesso e depois outra portinhola para entrar na gruta onde o menino jesus nasceu. Impossível não se emocionar. A demorada caminhada, passo a passos lentos, que levou algumas horas para transpormos poucos metros, foi um convite à meditação. A energia do lugar impressiona. Muito mais do que as manifestações, inclusive histéricas, testemunhadas na Via Sacra e na Basílica do Santo Sepulcro, onde Jesus foi Sepultado, em #Jerusalém. #Israel.

 

Na Terra Santa testemunhei que Jesus Cristo continua sendo um cidadão do mundo. Povos de todas as raças e credos enfileirados e maravilhados ao trilhar os mesmos caminhos do filho de Deus. Eu mesma, confesso. Sobretudo, o impacto de adentrar nos espaços da mãe de Jesus, Maria!

 

Eu deveria ter estudado um pouco antes de viajar, não o fiz, mas aquela viagem me marcou, e acredito marcará a minha vida toda. Onde vi mais do que um personagem,  mas descobri que Jesus Cristo foi um homem de carne e osso.

 

Ainda levo comigo aquela sensação de tocar a minha mão onde a mão dele tocou… Ele, carregando a cruz, eu carregada de emoção.

 

Por isso, convido você, leitor,  a olhar com amor para o povo pobre, que passa por necessidades extremas nesses tempos de #pandemia, ódio e exclusão social. Toque até onde o seu braço alcançar. Doe dinheiro, roupas, alimentos, tempo, sangue, amor. Salve uma vida.

 

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