Construir Resistência
Foto: Arquivo pessoal

Não é de hoje: Nada valemos!

Por Virgilio Almansur

PREVARICA-SE DESDE OUT/18, quando a milicada, assanhada, já vinha aparelhando o governo. Engalanados ou não, com suas tampinhas distribuídas pelas lapelas e ombros, estes foram, são e serão, o objeto das blindagens a que assistimos descaradamente.

O episódio das datas entre 20/03/21 a 23/03/21, condensa as vergonhosas transações que ocorreram em 21 anos de torturas e que no último plantão sob o idiota que amava cavalos, permitiu acontecimentos como RioCentro e suas versões rocambolescas.

O imbróglio COVAXIN ilustra muito bem o quanto o bem maior, VIDA, é negligenciado. Não esperemos rigor nas investigações. Haverá sólido cerco a desafiar as instituições, pois virá delas mesmas a argumentação necessária que os escaninhos processuais escondem… Prodigalidade sempre possível que gera teratologia processual e favorece o crime disseminado nesse país dominado por milícias.

Eliminar essa milicada disseminada como tumor maligno e a gerar metástases compulsivas, é prioridade de difícil solução. Vão se insinuando e tomando postos chaves; compõem-se como uma imensa familícia impondo seus arsenais mafiosos a ameaçar o Estado a que pertencem — que deveriam, como agentes estatais, proteger.

Nossos militares não conhecem o Brasil. Desnecessário dizer o quanto são desnecessários! Estão mais voltados das fronteiras para dentro, em especial o inglório exército, que revelou — e revela — suas garras contra seu próprio povo torturando e escondendo seus cadáveres, como no período nefasto sob o herói dessa mixórdia de generais, o brilhante ustra.

As forças, então armadas, estão mancomunadas nesse jogo de interesses com moedas de trocas que sempre estiveram no cenário dessa escória. Difícil encontrar aquele que tenha isenção. Deve existir. Mas não se manifestam e o silêncio os acumplicia quando o mote de quem cala consente é indefectível.

“No Caminho Com Maiakóviski”, de Eduardo Alves da Costa, o que deixamos desde os tempos nebulosos que se insinuaram, recentemente, em especial de 13 a 16, aparecem em seu poema:

“Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.

Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.”

Nossos humildes, além de infelizes e infelicitados, que tanto nos infelicitam pelo silêncio infeliz, merecem que tenhamos o poder da resistência e falemos por eles. Continuar denunciando, continuar resistindo. Continuo aqui…

 

Virgilio Almansur é médico, advogado e escritor.

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