Construir Resistência
Foto: Arquivo pessoal

Milicianato

Por Virgilio Almansur

Autarquia sem governo!
O miliciano entra e sai de tudo. É uma vantagem do passe… Acreditem: não há diferença entre adriano e o juge voleur. Por sinal, ambos foram condecorados pelas FFAA com a medalhete do pacificador.

No entanto, ambos promoveram, como o miliciano-mor, a engenharia do medo. É o universo dos bombadões, juizes em operação…

A população vai se acoelhando e passa a esperar de uma autoridade imediata, tipo biruta de padaria sem direção (daí biruta!), que haja socorro; este vem com a marca da conivência criminosa. É o projeto de insegurança ganhando corpo e corpos.

Está aí esse discurso desde 18, implementado ainda em 16 com fora-temer; foi o terreno micro-macro para os messianismos farsa jatistas que desaguaram nesse desgoverno da insegurança. A política foi capturada!

Todo o invólucro da segurança via ocupação carioca com o brega nato e sua escumalha, recebeu logo um recado: Marielle! Ali mesmo, em março/18, início da operação de segurança para viabilizar insegurança. Estão sendo exitosos!

O assassinato deve ter sido urdido num condomínio barra pesadíssimo. Se houver coragem, o vídeo — além de fotos do pedágio da Via Amarela, com o retorno dos assassinos do Centro e Estácio, para a Barra da Tijuca — capta uma figura importante e que é razão de todo o imbróglio procastinador das investigações.

Esqueçam! Não haverá solução; nem resolução do crime. Ele foi um recado cujo destinatário o sabe! Somente uma “delação”, com interesses próprios ou traição nas mesadas, trará novidades. Mas serão poucas. Nós sabemos…

O menos sagaz, até limitado cognitivamente — recém introduzido ou não no jogo dissociativo —, sabe da existência de dossiês. Essa era a marca fluida no império dos ditadores assassinos, que por o serem — e permitirem a tortura desenfreada — foram encurralados pela dossiecracia como método.

Hoje há aperfeiçoamento dossiecrático. Fizeram as lições de casa, independem dos tanques, o Estado pagou-lhes mestrados, doutorados e pós e mais pós para nos espetar com guerras híbridas. Método!

Método já aventado por políticas mundiais, preocupadas com o amanhã, entendem elas, como método, a expansão da insegurança. Vide hoje, entre nós, mais de 50% da população imersas numa insegurança alimentar. Método!

75.000 moradores, chegando a 200.000 nos arredores da Vila Cruzeiro, já estão apavorados… O medo, nessas 24 horas é agudo! Método!

A favela é refém in totum: obrigados a manter suas portas e janelas abertas — eis que tanto o tráfico como as milícias assim exigem, uma vez que cada casebre, cada moradia, devem também servir de escape —, seus moradores nunca têm privacidade e são massacrados pela bandidagem travestida de formalidade (milicianato), pela bandidagem real e pela polícia rapineira que impõe seus “alvarás” ao verdadeiro dono do crime, muitos com seus leões-de -chácara a cumprir determinação advinda do asfalto, da orla ou dos escritórios refrigerados também travestidos causidicamente. Método!

Não há como fugir! A garotada sabe que cedo ou tarde terá seu CPF formal ou informal riscado do mapa, sempre circunscrito, limitado e regionalíssimo. Método! Exemplar!

Não por acaso, o crime passou a exigir desses meninotes testosterônicos e espinhentos, um casamento informal, por vezes formal. É a menina, mais reclusa, que fará a “passagem” ou liame entre o morto e o novo “marido” a retomar a defesa da região, que nada mais é que testa-de-ferro do verdadeiro crime, sempre acima e organizado com massa cinzenta e a de empréstimo das forças do Estado. E de governos… Método!

Ahhh… Sim! Sempre as fotos! Fuzis, papelotes, algumas pastas de coca do varejo, celulares e algumas identidades plastificadas manchadas de sangue; sempre a mais vagabunda das “provas” a ilustrar os jornalões que nunca expõem o atacado que nutre os bagrinhos. Método!

Há uma corrente dizível e indizível a percorrer com extensa permissividade — e promíscua atuação — os escaninhos do poder, que chega às casas de vidro dos entes municipal, estadual e federal.

As milícias costuraram essa desgraça que hoje mais aparece no Rio de Jeneiro, mas é viva e atuante nos quatro cantos do país. Nem as estatísticas arranham essa realidade desesperadora que torna reféns as mais de 700 favelas cariocas.

Comunidades (ao gosto da “polimilícia” legisladora) há em mais da metade dos municípios brasileiros. Se não há metralhadoras, há revólveres; se não há escopetas há garruchas; se não há garruchas há facão; se não há facão há martelos, porretes, tacos, cordas! Se não os há, serão as próprias mãos a serem utilizadas para as neutralizações…

O país está infestado. Chicago dos 20 é brincadeirinha que ficou nos XX. Nesse momento há um corpo sendo lançado numa caminhonete; não há câmeras e as testemunhas estão debaixo de suas camas até o sol raiar…

 

Virgilio Almansur é médico, advogado e escritor.

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