Construir Resistência
UNITED KINGDOM - OCTOBER 01:  RAINBOW THEATRE  Photo of Bill WITHERS, 516  (Photo by Fin Costello/Redferns)

Meio século de uma pérola musical

 (Photo by Fin Costello/Redferns)

Há exatos 50 anos, “Lean on Me” alcançava o primeiro lugar na US Billboard Hot 100. Começava a virar um hino, não somente da luta negra por igualdade e justiça, mas também de outros movimentos empenhados em promover o bem pela ação solidária.

Virou expressão da cultura planetária cooperativa. Lembro que foi tocada no fim de um episódio de Os Simpsons. Antes da posse de Obama, em 2009, há um momento em que veteranas e veteranos da luta por direitos civis começam a entoar a canção. E a multidão os segue. Arrepiante. Na cerimônia, Mary J Blige também canta o hit, aí de modo oficial.

Bill Withers, que morreu em 2020, era um compositor inspirado. Passou a infância em uma cidade dedicada à mineração de carvão. Sobrevivência duríssima, especialmente para o povo negro, vítima do preconceito e da exploração. As pessoas somente se mantinham em pé pela teimosia coletiva, no apoio recíproco.

Essa é a origem de seus versos simples e profundos, que muitas vezes parecem pronunciados em um rito de fé. Withers fez muita coisa boa, como “Ain’t No Sunshine” e “Grandma’s Hands”, ambas de 1971, e “Just the Two of Us”, de 1981.

Sumiu da grade das rádios brasileiras. Uma pena. Eu, que sempre fui apaixonado pelas diversas vertentes da Black Music, continuo ouvindo. Ouço hoje, 50 anos depois, com a mesma emoção.

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