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Lula utiliza as armas de Bolsonaro

Por Simão Zygband

 

Custo a acreditar que o presidente Lula tenha cometido um deslize quando, durante entrevista ao portal 247 tenha dito, em determinado momento, que quando estava preso na sede da Polícia Federal, passou pela sua cabeça a vontade de “foder o (juiz Sérgio)Moro”. Justamente ele, um traquejado político, eleito pela terceira vez para conduzir os destinos da nação pelos próximos quatro anos, que conhece muito bem o peso das palavras que saem da boca da principal autoridade do país.

Claro que ninguém está acostumado com um Lula que se utiliza de termo tão rasteiro para procurar desqualificar um adversário (no caso um inimigo). É que o presidente parece ter se dado conta que neste mundo virtual, o bom mocinho e os bons modos nem sempre se mostram tão eficientes.

É um horror dizer isso, mas trata-se de um dado de realidade. O ex-presidente genocida, cujo nome deve ser evitado, conseguiu sair da sua mediocridade como parlamentar de terceiro escalão na Câmara dos Deputados, onde passou 33 anos vivendo como uma ratazana política, e alcançou o cargo do presidente da República, se utilizando de uma asquerosa verborragia de ataques aos negros, homossexuais, mulheres, intelectuais, minorias, adversários de esquerda, enfim, todos os que eram diferentes dele (ainda bem).

Apesar de ter realizado um desgoverno, cometendo crimes, assacando contra tudo e contra todos, sendo responsável pela morte da maioria das 700 mil pessoas vítimas da pandemia de Covid-19, ter adquirido milhões em imóveis de maneira suspeita pagos em dinheiro vivo, por ter 40 quilos de cocaína no avião presidencial e ter armado um esquema para contrabandear joias pertencentes ao acervo da República, isso sem contar as evidentes ligações com as milícias, com as rachadinhas e outras barbaridades, mesmo assim, o genocida perdeu as eleições para Lula por uma diferença de 2 milhões de votos (quando no primeiro turno eram 6 milhões a distancia entre os candidatos).

Como explicar que, com tudo isso, o genocida ainda tenha tido 58 milhões de votos dos eleitores brasileiros, contra pouco mais de 60 milhões do Lula? É duro admitir que a nossa sociedade atingiu um nível muito baixo de inteligência e de cultura geral e política. É como se metade do país fosse composto por estranhos seres que vivem em outro planeta e que perderam a capacidade de reflexão.

Espero que eu esteja enganado, mas Lula parece ter se enchido um pouco do bom mocismo e, talvez por isso, treine um pouco esta estratégia estúpida do ex-presidente, de fazer se tornar mais evidente utilizando um termo chulo, que dificilmente sairia de sua boca. Mas o Foder de Lula está em toda imprensa, nos Instagram e Facebook e nas redes sociais da vida, com muito mais exposição do que as dezenas de programas saudáveis que já proporcionou ao povo brasileiro em pouco menos de 100 dias de governo. Lula interviu para salvar os Ianomamis, as vítimas da tragédia de São Sebastião, retomou o programa Mais Médicos, elevou os ganhos do Bolsa Família e também o salário mínimo, aumentou a verba da Educação, criou o ministério dos Povos Originários e até baixou uma lei para que os órgãos públicos contratem 30% de funcionários pretos, entre outras ações.

É duro reconhecer que Lula fica muito mais evidente falando uma bobagem como fazia o ser animalesco presidente anterior do que sendo um exímio governante, como de fato é.

Mas espero que ele não tenha que se utilizar deste expediente, que não lhe cai bem e esqueça esta arma asquerosa do Bolsonaro. Espero que consiga.

Toda a sorte do mundo, presidente!

 

 

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